segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Natal... Acontecimento de Paz e Bem


O acontecimento do Natal toca as cordas mais belas do coração humano. Aqui se fala do mistério do menino, da simplicidade, da humildade, da ternura e da pobreza.
Este é o Natal que desejamos a cada um de vós. Um Natal em Paz, de modo que a contemplação do Menino Jesus, abra os corações e nos ensine a todos, a perceber em cada instante, a presença deste Senhor Jesus, que enche e preenche a nossa vida, com a sua Luz e a sua Paz, a sua graça e a sua verdade!
A mensagem do Natal é sempre nova como são novos os problemas do mundo e as circunstâncias da vida em cada ano. No firmamento dos últimos dias deste ano 2012 pairam, sobre o mundo e o nosso país, nuvens negras, densas e ameaçadoras: os reflexos da crise económico-financeira, o desemprego crescente, as novas situações de pobreza, o cancro tentacular da corrupção, a quebra de confiança na justiça...
Acrescem ainda os problemas que vivemos nos diferentes momentos do nosso caminho pessoal e familiar. Vamos tomando consciência de que “a sociedade cada vez mais globalizada torna-nos vizinhos, mas não nos faz irmãos”.
Aproximando-se a festa do nascimento de Jesus Cristo, a Fraternidade dos Irmãozinhos de S. Francisco de Assis dirige-se a todos os que connosco colaboram, a quem nos torna os dias mais leves com a sua bondade e generosidade, a todos que, com a sua atitude, contribuem de uma forma geral para nos ajudarem com as suas ofertas a vivermos com mais alegria a entrega das nossas vidas a este Menino no serviço a todos os irmãos.
Na celebração do nascimento de Jesus a lembrança de todos os que nos são próximos, de todos os que nos ajudam, de todos os que connosco trabalham, de todos os que se cruzam no nosso caminho do dia-a-dia, de todos os amigos dos nossos amigos, de todos os que estão longe mas perto no nosso coração.
Gratos, retribuímos com a nossa oração e a nossa disponibilidade de servir, testemunhando, assim, a comunhão fraterna que nos une.
Porque o Natal estará sempre onde despontar o teu sorriso e brilhar a luz do teu olhar!
A todos, desejamos um feliz e Santo Natal e um abençoado Ano 2013.
Que neste Natal o Senhor Deus, em Belém feito Menino te moste o Seu rosto, e te abençoe e te dê a Sua Paz.

A Fraternidade dos Irmãozinhos de S. Francisco de Assis, Jovens Shemá' e Companheiros do Santíssimo Sacramento desejam a todos um Santo Natal na companhia dos que mais amam com as maiores bênçãos do Deus que por nós se fez Menino....

Greccio, uma nova Belém... O Natal de S. Francisco de Assis

Um grande homem que se fez pobrezinho de Deus no ano de 1223, vagueava entre os bosques da região na Úmbria, Itália. No seu coração, carregado de amor e humildade, palpitava uma ideia que cintilava renitente naquele tempo das proximidades do Natal de Jesus do ano 1223.
Pés no chão, roupa remendada de tecido áspero, entre os cabelos a tonsura. Segue o peregrino de Deus com o coração inquieto. O que dar aos pobres na noite da festa do nascimento do Senhor? Ora, festas e banquetes, presentes e roupas novas, celebrações litúrgicas sofisticadas, só via apenas para os ricos da nobreza e da burguesia (classe da qual fez parte Francisco e Clara), porém S. Francisco e Santa Clara, já tinham deixado este mundo para trás há algum tempo e não voltariam para ele.
O pobrezinho de Assis, ora meditava, ora dançava ao som das estrelas, ora pregava às borboletas, silenciava às vezes e noutras conversava com os seus irmãos, os irmãos que Deus já lhe tinha enviado. Estava em comunhão plena com o Criador e todas as criaturas, e via em cada pobre o rosto do seu amado Jesus. Mas o Natal aproximava-se e o que dar aos pequeninos? O que dar aos mais pobres dos pobres?
Inspirado como ele era, pois Francisco respirava o Espírito, pensou então em reconstituir a noite luminosa de Belém; mas antes, antes de tudo o que faria daquele instante em diante, ele preparou o seu presépio interior, primeiro no seu coração.
Esvaziou-se de tudo o que não fosse amor (se bem que para ele isso não fosse tão difícil, pois ele assim já vivia), e num movimento de respiração, expirou as preocupações, as aflições, os medos e anseios, a tristeza e a dor, e de uma forma contínua inspirou todo o bem que existe no mundo. Foi quando percebeu a linha que une todas as coisas e criaturas entre si e que as une ao Criador, num só movimento, como um sopro translúcido. Percebeu o mistério insondável que se manifestara naquela noite de Belém, quando um Deus incomensurável e glorioso revestiu-se de compaixão pelos humanos e armou a sua tenda numa criança frágil e pobre. Francisco, o Santo que tinha abraçado o leproso, Francisco que tinha abandonado todas as riquezas e glórias humanas, Francisco que se escandalizou com o luxo e o poder da Igreja e decidiu viver na pobreza extrema como a maior forma de contestar este luxo, Francisco que se tornou pobre com os pobres, Francisco que ainda não tinha recebido as chagas, neste momento começou a armar o presépio exterior, reflexo e espelho do seu presépio interior.
Pensou: pois quero celebrar a memoria daquele menino que nasceu em Belém e ver de algum modo, com os olhos corporais, os apuros e necessidades da infância dele, como foi reclinado no presépio e como estando presentes o boi e o burro, foi colocado sobre o feno.
Preparando apressadamente tudo para o acontecimento  aproximou-se o dia da alegria, chegou o tempo da exultação. Os irmãos foram chamados de muitos lugares; homens e mulheres daquela terra, com ânimos exultantes, preparam, segundo as suas possibilidades, velas e tochas para iluminar a noite que com o astro cintilante iluminou todos os dias e anos.
Veio finalmente o santo de Deus e, encontrando tudo preparado, viu e alegrou-se. Neste Presépio se honra a simplicidade, se exalta a pobreza, se elogia a humildade; e de Greccio se fez com que uma nova Belém iluminasse a noite.
O bosque faz ressoar as vozes, e as rochas respondem aos que se rejubilam. Os irmãos cantam, rendendo os devidos louvores ao Senhor, e toda a noite dança de júbilo. O santo de Deus está de pé diante do presépio, cheio de suspiros, contrito de piedade e transbordante de admirável alegria.” (Cel 30,4).
Dizem que esta noite foi radiante. Os pobres, como em Belém, acorreram todos os de Greccio e das redondezas. Alegres armaram o presépio vivo. Certamente as estrelas que ouviram a pregação do “louco de Assis” e receberam o seu brilho, ainda hoje brilham sobre nós. O presépio que Francisco montou perdura e jamais deve ser desmontado dentro de nós, mesmo e principalmente no decorrer dos anos das nossas vidas, pois quando estivermos cansados, deprimidos, amedrontados, inseguros, no meio de uma tempestade ou mesmo numa calmaria, sempre poderemos olhá-LO e ver um menino envolto em panos pobres, ao lado da Mãe e de José, mergulhado em profunda comunhão com a natureza, a acenar-nos e a sorrir docemente. Então nos sentiremos mais perto de Deus, tão perto como nunca nenhum outro se sentiu. Um Natal pleno de luz e repleto de paz dentro de nós e nas nossas casas, transbordando compromisso com os marginalizados. Um Deus que se fez criança acena e sorri com ternura para todos e se faz natal todos os dias do ano. PAZ e BEM!  

         Texto adaptado: Ir. José Domingos

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Advento, Tempo de Espera e de Esperança


Senhor, esperamos-Te novamente.
Povoa de esperança o espaço que restou dentro de nós.
Seca as lágrimas que ainda molham as nossas faces.
Ajuda-nos a repartir os sorrisos que vingaram
neste espaço de barro que somos nós, e onde um dia semeaste a fé.
Repete este milagre de, embora divino,
caberes por inteiro no nosso coração humano.
Volta para nós, desta maneira simples de chegar
E permanece connosco, ajudando-nos a crer
que ainda é tempo de sonhar com a paz.
Senta-Te à nossa mesa e prova o pão do nosso suor.
Caminha ao nosso lado para entenderes o nosso cansaço.
Escuta os nossos anseios, para compreenderes nossa luta.
Volta para nós, desta maneira simples de chegar.
Volta silencioso como a aurora e plenifica de luz o nosso amanhecer.
Volta silencioso como a flor e perfuma de amor o nosso desejo.
Volta para nós, desta maneira simples de chegar.
Da nossa parte, estaremos à Tua espera
como terra seca, que procura orvalho;
como noite escura que procura luz;
como fonte imóvel que procura impulso.
Volta para nós, desta maneira simples de chegar.
E que te possamos descobrir
em todos os presépios e casas,
em todas as manjedouras e berços,
em todas as Marias e Josés.
Amém

(Oração rezada na Adoração Shemá' no dia 30 de Novembro, na Capela do Paço Episcopal)

sábado, 8 de dezembro de 2012

8 de Dezembro - Dia da Imaculada Conceição, Rainha e Padroeira de Portugal

"Depois, apareceu no céu um grande sinal: uma Mulher vestida de Sol, com a Lua debaixo dos pés e com uma coroa de doze estrelas na cabeça. Estava grávida e gritava com as dores de parto e o tormento de dar à luz.
Apareceu ainda outro sinal no céu: era um grande dragão de fogo com sete cabeças e dez chifres. Sobre as cabeças tinha sete coroas e, com a sua cauda, varreu a terça parte das estrelas do céu e lançou-as à terra. Depois colocou-se diante da Mulher que estava para dar à luz, a fim de lhe devorar o filho quando ele nascesse. Ela deu à luz um filho varão. Ele é que há-de governar todas as nações com ceptro de ferro. Mas o filho foi-lhe arrebatado para junto de Deus e do seu trono." (Ap12, 1-5)

 
Em 25 de Março de 1646 sob proposta do Rei D. João IV, as Cortes reunidas aprovaram a escolha do Santuário de Vila Viçosa para sede e solar da Padroeira de Portugal... Nossa Senhora da Conceição. Foi aquele mesmo Rei que consagrou a Nação Portuguesa a Nossa Senhora da Conceição e A proclamou nossa Padroeira e Rainha. São do seguinte teor as palavras da provisão régia datada, precisamente, de 25 de Março do ano acima referido:
"Estando ora juntos em cortes com os três estados do Reino lhes fiz propor a obrigação que tínhamos de renovar e continuar esta promessa (de D. Afonso Henriques) e venerar com muito particular afecto e solenidade a festa de Sua Imaculada Conceição. E nelas, com parecer de todos, assentámos de tomar por padroeira de Nossos Reinos e senhorios a Santíssima Virgem Nossa Senhora da Conceição… e lhe ofereço de novo… à Sua Santa Casa da Conceição sita em Vila Viçosa, por ser a primeira que houve em Espanha desta invocação, cinquenta escudos de oiro, em cada um ano em sinal de Tributo e Vassalagem…".
Desde a eleição da Padroeira, os Reis de Portugal nunca mais colocaram a coroa na cabeça. Em ocasiões solenes, era ela depositada sobre uma almofada, ao seu lado direito da Imagem.
Em 1648 D. João IV mandou cunhar medalhas de ouro e prata que correram como moeda, em honra da Padroeira de Portugal, tendo no reverso a imagem de Nossa Senhora da Conceição coroada de sete estrelas sobre o globo e a meia-lua, tendo aos lados o sol, o espelho, a casa de ouro, a arca da aliança, o porto e a fonte selada com a legenda: Tutelaris Regni. Foi, até, com duas destas moedas em ouro que o Rei pagou, nesse ano, o tributo prometido ao Santuário de Nossa Senhora de Vila Viçosa.Só 200 anos depois é que o Papa Pio IX definiu solenemente em Roma o mesmo privilégio de Nossa Senhora, como dogma de fé universal. Enfim, Nossa Senhora da Conceição tem sido através dos séculos, a honra e a glória da Nação e do Povo Português.
 

Nossa Senhora da Conceição, rogai por nós