sexta-feira, 9 de março de 2012

Convite à Mudança


Senhor Jesus, Pai Santo,
como é bom estarmos aqui diante de Ti.
A Tua presença entre nós, no Santíssimo Sacramento, é fonte de Paz, de alegria e de esperança.
Diante de Ti, Altíssimo, Omnipotente e bom Senhor, queremos louvar-Te,
Adorar-Te e bendizer-Te, por tantas maravilhas que fazes em nossas vidas.
Senhor Jesus, Pai Santo, nós nos curvamos diante da Tua presença.
Dá-nos a graça de perseverarmos na busca do Teu amor, na busca da Tua Palavra,
na busca da Tua Santidade.
Senhor Jesus, Pai Santo, nós te adoramos, porque Tu és a nossa luz,
porque Tu fazes arder o nosso coração com a Tua Palavra
 e a Tua presença no meio de nós.
Faz que fiquemos sempre contigo, participando do mistério eucarístico e que possamos
através da nossa vida, do nosso testemunho revelar-Te aos nossos irmãos.   
Hoje, nesta noite, como outrora aos discípulos Tu nos contemplas,
olhas nos olhos de cada um de nós e dizes: “Vinde a mim, vós todos que estais cansados e fatigados e
 eu vos aliviarei, vos darei conforto”.
Senhor Jesus, junto de Ti, buscamos o conforto para os nossos corações,
 a fortaleza para as nossas lutas, a esperança para as nossas provações.
Mas buscamos muito mais a força para cumprirmos com amor e alegria, em nosso dia-a-dia, a vontade do Pai.
Senhor Jesus, nosso Deus e nosso rei! Neste momento de Adoração, nesta noite Santa,
diante de Ti, queremos entregar-te as nossas famílias e tudo o que é nosso:
a nossa casa e todos os que nela habitam, os nossos bens, o nosso trabalho,
as nossas lutas e dificuldades, as nossas alegrias e esperanças!
Tudo  Te entregamos, Pai Santo, confiando no Teu amor e na Tua misericórdia.
Senhor com profunda fé, nos Te adoramos e louvamos, bendizendo o teu Amor e a tua misericórdia.
Fica connosco Senhor nesta noite e sempre.
Ámen.

terça-feira, 6 de março de 2012

Homilía do representante do Santo Padre no Santuário do Cristo Redentor (Rio de Janeiro) a propósito da próxima JMJ

Queridos Jovens:
(...)
 A Cruz é como um “arado” que prepara o terreno para a semeadura da palavra de Deus durante cada JMJ, e de modo especial preparará o terreno da “Terra de Santa Cruz”, primeiro nome dado ao Brasil.
O encontro pessoal com Cristo Redentor é, por sua vez, inseparável do encontro com a sua Igreja. A JMJ alimenta nos jovens a consciência de ser parte integrante da Igreja, dá-lhes a certeza de não estarem sozinhos. A importância e a intensidade do evento fazem descobrir o «caráter planetário da fé e o significado universal da pertença religiosa», põe em evidência a vitalidade da Igreja e a sua extraordinária capacidade de mobilizar e de agregar as jovens gerações mesmo na sociedade pós-moderna, já difusamente secularizada. A geração das JMJ’s tem aprendido que seguir Jesus na fé quer dizer caminhar com Ele na comunhão da Igreja, que não se pode separar Cristo da sua Igreja!
(...)
Nunca esqueçam que vocês ocupam um lugar privilegiado no coração de Cristo e no coração da Igreja. Vocês são não somente um objeto do esforço missionário da Igreja, mas também seus protagonistas indispensáveis! É em vocês que a Igreja reencontra continuamente a capacidade de maravilhar-se diante do Mistério e o entusiasmo que leva a objetivos sempre novos. Vocês encontram-se na idade por excelência da busca da verdade, do bem, da beleza, da justiça e da solidariedade. Nunca deixem de buscar estes altos ideais! E não percam a oportunidade que a Jmj lhes oferece de colocá-los em prática, através da hospitalidade que poderão oferecer a todos os vossos amigos, provenientes das mais diversas partes do mundo.
Caríssimos jovens, procurem engajar-se na preparação da Jmj com a generosidade que lhes é própria. Há uma grande necessidade do empenho de todos vocês nos diferentes serviços e nos mais diversos campos do voluntariado. A Igreja conta com vocês! Cristo conta com vocês! Caríssimos, Jesus Cristo os espera, e de braços abertos deseja encontrá-los em julho de 2013!

Cardeal Stanisław Ryłko

segunda-feira, 5 de março de 2012

Desfigurados e Transfigurados
Reflexão em tempo de Quaresma

Desfiguradas são algumas pessoas, presas às passageiras impressões dos sentidos, incapazes de perscrutar a grandeza interior em si mesmos, presente ainda que faltem lindos traços de beleza, imarcescível ainda que murchem as belas rosas da face. A desfiguração de quem esgota a sua capacidade de amor nas aparências e menospreza o mistério indizível de um coração humano. Desfigurada gente que ignora quanto o caminho da cruz pode purificá-la, dando-lhe têmpera e firmeza, sem diminuí-la, antes enriquecendo-a, aperfeiçoando-a, aprofundando-lhe o optimismo que nas adversidades se purifica de exageros fantásticos e nocivos. Em contacto com as provações o optimismo natural clarifica-se, transfigura-se, sublima-se mas não perde a sua essência.

Transfigurados são os homens e as mulheres que procuram intimamente, esquecidos de si mesmos, que se inclinam com leve tremura de esperança sobre o outro ser humano e murmuram respeitosamente, baixinho, quase em oração: «Que será desta pessoa? Que rumos seguirá? Que espécie de humanidade dormita neste coração!» São os que amam com sinceridade, amor eficaz, sem portagem, sem precipícios, sem muralha, permitindo o acesso a toda a hora, em todo o lugar, em toda a circunstância, reflexo do amor de Deus, no amor de pai e no amor de mãe e no amor de irmão e no amor de amigo e no amor de companheiro!

A transfiguração de quem desce humilde e generoso para elevar melhor e mais depressa os outros no seu tempo e no seu lugar, à semelhança do baixar de Cristo, humilde e solidário, penetrando no coração de todos, sem excepção, mas respeitando-lhes a liberdade e os direitos. A transfiguração de quem perdoa por caridade, por convicção, por coragem, pois quem perdoa por fraqueza, constrangido pelas circunstâncias e pelo medo, esse está desfigurado.
Luís
Cfr. Evangelho segundo S. Marcos (9,2-10) - Ler aqui

Quaresma: Convite à mudança


A Quaresma é tempo de preparação para a Páscoa. Nas primeiras comunidades cristãs sentia-se a necessidade de preparar a festa da Páscoa, comemoração da Morte e Ressurreição de Jesus. Logo no primeiro século reservaram dois ou três dias para um tempo de jejum e de penitência, uma espécie de luto pela morte do Senhor e, ao mesmo tempo, uma oportunidade de purificação para celebrar Jesus Ressuscitado. Foi esta celebração que acabou por chamar-se o Tríduo Pascal. Nos séc. II e III os cristãos sentiram que precisavam de uma preparação mais exigente para celebrarem a Páscoa do Senhor. Começaram por reservar uma semana e mais tarde duas a três semanas de oração e de jejum como forma de preparar o coração para a Ressurreição do Senhor. É já no séc. IV que se começa a celebrar a Quadragésima, isto é, uma série de 40 dias de oração para preparar a Festa Pascal. São 40 dias tendo em atenção três grandes acontecimentos: os 40 anos da travessia do deserto, feita pelo Povo Hebreu que, liberto da escravidão do Egipto, vai ao encontro da Terra Prometida; os 40 dias que Elias levou para, alimentado por Deus, chegar ao monte Horeb e ali adorar o Senhor; e sobretudo os 40 dias que Jesus passou no deserto da Judeia em jejum e penitência para se preparar para o anúncio do Reino. A Igreja escolheu então que a preparação para a Páscoa devia conter 40 dias também. Foi o Concílio de Niceia, por volta do ano 325, que consagrou definitivamente a Quaresma como tempo de preparação para a celebração da Morte e Ressurreição de Jesus. A Quaresma começa com um desafio: “Arrependei-vos e acreditai no Evangelho” (Mc 1, 15).

• Arrependei-vos – é um convite à mudança de vida com o reconhecimento sincero de tudo o que não tem estado bem e que é necessário superar.
• Acreditai no Evangelho – é a afirmação de uma referência para a mudança de vida. Só o Evangelho tem os valores essenciais para descobrir os caminhos novos que o cristão tem sempre o dever de percorrer, os caminhos da verdade, da justiça, do bem e do amor.
• A coerência de vida – é uma exigência para vencer toda a forma de hipocrisia nas três propostas que aparecem nas primeiras horas da Quaresma. A esmola, a oração e o jejum, práticas quaresmais, não podem ser feitas para serem vistas pelos homens; são purificadoras da inteligência e da vontade e tornam possível a conversão necessária.

A Quaresma é, para o cristão, em cada ano, um tempo privilegiado de renovação interior, um “grande retiro”, em que se avalia o ser cristão e se pede a ressurreição pessoal necessária. Como Cristo morreu e ressuscitou, também cada cristão deve morrer para imensas coisas e ressuscitar para a vida nova que lhe é proposta pelo Evangelho.

A Quaresma na nossa comunidade constitui um tempo de renovação pessoal e comunitária, no aprofundamento espiritual, na linha da fé e numa intervenção mais eficaz na vida de caridade. Seremos capazes de aproveitar este tempo santo como oportunidade de um compromisso cristão mais assumido?

• A renovação da fé – há muitas propostas de renovação espiritual: orientação para a oração pessoal, oportunidade de debates no campo dos valores do Evangelho, aprofundamento da fé em catequeses organizadas, valorização dos tempos fortes de reflexão e silêncio que nos sejam propostos, tudo isto a par de inúmeras celebrações comunitárias.
• A afirmação da caridade – a atenção aos outros sobretudo os mais pobres, ou os mais isolados, a partilha de bens, especialmente perante a pobreza envergonhada. A ajuda a quem precisa de apoios para superar as dificuldades e muitos outros gestos de caridade com o repartir do tempo, das opiniões, dos afectos e até da própria fé. Tudo são gestos de amor para quem precisa de se sentir amado.
• O testemunho de esperança – no mundo de hoje, cruzam-se nas nossas vidas inúmeras inquietações. São as dificuldades económicas, os problemas de emprego, as perdas de crédito, como são também as doenças inesperadas, a morte de um familiar, a incerteza perante o futuro. O cristão tem o dever de testemunhar a esperança, ficando sereno na adversidade. Por muito difíceis que sejam os tempos, Deus está sempre presente para além do tempo. É preciso confiar.

É neste contexto das virtudes teologais que é possível celebrar na comunidade o caminho quaresmal. Se o conseguirmos, a Páscoa será mesmo de Ressurreição

domingo, 4 de março de 2012

II Domingo da Quaresma


«Este é o meu Filho muito amado, escutai-O» (Mt7, 5)