quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

D. Manuel Falcão (1922-2012)



Paz e Bem... Partiu para o Céu um grande Bispo mas acima de tudo um grande homem, um grande Santo: D. Manuel Falcão, Bispo Emérito de Beja e Co-fundador da Fraternidade dos Irmãozinhos de S. Francisco de Assis, Jovens Shemá' e Companheiros do Santíssimo Sacramento. O corpo esteve na Igreja da Sé em Beja.
Realizou-se hoje Eucaristia Solene na Sé Catedral de Beja. O funeral seguiu para o Cemitério de Beja onde a urna ficou depositada no jazigo dos Bispos da Diocese.

Os Irmãozinhos

Testemunho de um ateu convicto acerca de D. Manuel Falcão

Sou ateu até à medula dos ossos – saí assim. Estou por isso em condições privilegiadas para dizer que hoje morreu alguém que mais se aproximou da ideia que faço de um santo: D. Manuel Falcão, Bispo Emérito de Beja.
Nunca me foi dado ver pessoa tão desprendida dos seus cuidados materiais. Embora pertencesse a uma família abastada, tinha que ser a irmã a mudar-lhe em segredo o guarda-roupa quando os fatos já se encontravam quase no fio. O automóvel de serviço, era ele, sempre que possível, quem o consertava em caso de avaria, dando uso à sua formação de engenheiro. O dinheiro de que dispunha, dissipava-o em pequenos auxílios discretos ou numa obra monumental, lenta e prudente: o levantamento, restauração e conservação do património histórico e artístico da diocese de Beja. Isto dito assim parece coisa institucional e maçadora, mas não era, porque estando entregue a José António Falcão (apesar do nome não tem qualquer laço familiar) tornou-se “apenas” um case study.
Foi em Janeiro de 1975 que Manuel Falcão recebeu o bispado de Beja. É difícil conceber cargo mais complicado, dada a hora e o local. Como ele o desempenhou, se quiserem saber, falem com pessoas de Beja, sobretudo comunistas, que elas vos dirão.
Manuel Falcão não era um homem efusivo e prazenteiro, mas era de trato cordial e sobretudo ponderado. Ou seja, procurava sempre salvar o pecador do seu pecado, em vez de brandir as penas do inferno, por maior que fosse o erro. Sei do que falo e com ele aprendi que o anti-clericalismo é insensato. Percebi também que ser ateu em paz e descanso, sem correr riscos de ver a cabeça separada dos ombros ou acabar com o corpo em chamas, é uma prerrogativa das sociedades cristãs contemporâneas. Bem sei que isto contrasta com alguns preconceitos dominantes, mas é a vida…
Pelo Natal, Manuel Falcão entregava a cada um dos 79 sobrinhos-netos um envelope com €20. Dava-lhes também a responsabilidade de entregarem esse dinheiro à instituição de caridade ou beneficência que entendessem.


Este pequeno texto demonstra bem a grandeza deste homem...
... É morrendo que se nasce para a Vida Eterna ...

D. Manuel Franco de Oliveira Falcão (1922-2012)

D. Manuel Franco da Costa de Oliveira Falcão, hoje falecido, nasceu a 10 de novembro de 1922 em Lisboa, freguesia de S. Mamede, primeiro de oito filhos que tiveram seus pais Manuel da Costa Falcão e Maria Felismina Franco Falcão, católicos convictos, transmitindo a sua fé aos filhos por testemunho de vida e educação. Por isso fez uma parte dos seus estudos secundários no Colégio das Caldinhas, S. Tirso, dos Jesuítas.
Nos anos da Guerra (1939-45), frequentou o Curso de Engenharia Mecânica no Instituto Superior Técnico, fez os três estágios e tem a carta de curso.
Foi vicentino, militante da JUC e cofundador do Centro de Ação Social Universitária (CASU). Colaborou no jornal universitário da JUC “Ala”.
A meio do penúltimo ano do curso do IST, ofereceu-se ao Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira, como candidato ao sacerdócio, que o aconselhou a terminar o curso de engenheiro, o que ele fez, entrando no seminário em 1945.
Recebeu a ordenação sacerdotal no dia 29 de junho de 1951, das mãos do Cardeal Patriarca, na Sé de Lisboa. A “missa nova” foi celebrada no dia 2 de julho seguinte, então festa da Visitação de Nossa Senhora, na capela das Franciscanas Missionárias de Maria, ao Rato.
Depois de ordenado, ficou no Seminário dos Olivais como professor e prefeito. Ensinou, conforme as necessidades, Ciências Naturais, História da Igreja, Sociologia, Pastoral. Ação Católica, etc.
Os primeiros anos, consagrou-os quase exclusivamente ao Seminário, embora ajudando os párocos das redondezas, sobretudo aos domingos e em confissões.
Depois, foi alargando progressivamente a sua ação a campos específicos: promoção dos estudos de sociografia religiosa, que o levaram a vários congressos no estrangeiro; criação e lançamento do Secretariado das Novas Igrejas do Patriarcado; criação do Secretariado de Informação Religiosa; publicação do BIP, Boletim de Informação Pastoral (1959-1970), seguida do BDP, Boletim Diocesano de Pastoral do Partriarcado (1968-1975); colaboração habitual na Voz da Verdade e ocasional nas Novidades e em revistas da Ação Católica. Procedeu ao primeiro recenseamento da prática dominical no Patriarcado (1955) e fez, em colaboração com a Câmara Municipal de Lisboa e o Estado, o estudo do redimensionamento paroquial da Cidade (1959).
Na qualidade de secretário particular, acompanhou o Cardeal Patriarca à inauguração de Brasília (1960). Eleito cónego da Sé a 24 de março de 1962, acompanho-o em muitas das suas atividades de Prelado diocesano.

Bispo de Telepte, Auxiliar de Lisboa

Por Bula de Paulo VI datada de 6 de dezembro de 1966, foi eleito Bispo titular de Telepte e Auxiliar do Cardeal Patriarca. A ordenação episcopal ocorreu na igreja de S. Vicente de Fora (do antigo convento em que trabalhava diariamente nos secretariados acima referidos), na festa de S.Vicente, padroeiro do Patriarcado, a 22 de janeiro de 1967. Foram consagrantes, com o Cardeal Patriarca, o Arcebispo de Mitilene D. António de Castro Xavier Monteiro e o Bispo de Febiana D. António de Campos, Auxiliares do Patriarca.
Além das atividades pastorais de Auxiliar, exercidas primeiro no Oeste do Patriarcado e depois nas regiões pastorais de Setúbal e de Santarém (preparando-as para se tornarem dioceses), dedicou-se especialmente à atualização conciliar do clero e à reestruturação pastoral do Patriarcado, com a criação do Secretariado de Ação Pastoral (SAP), a realização da primeira Assembleia Diocesana e a elaboração dos primeiros planos e programas de ação pastoral.
Entretanto, logo após a sagração, na Assembleia Plenária de abril, foi eleito Secretário da Conferência Episcopal, cargo que desempenhou durante nove anos, cumulativamente com os de presidente ou vogal de várias Comissões Episcopais e de primeiro delegado da Conferência no Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE).
Merece particular referência a organização, como membro da Comissão Episcopal de Pastoral, de várias semanas de atualização pastoral à luz do Vaticano II para o clero de todo o país, bem como, mais tarde, já a viver em Beja, a realização e o apuramento do I Recenseamento da Prática Dominical em todas as dioceses de Portugal (1977), que teve a sua projeção prática na Campanha do Domingo, que dirigiu durante dois anos.
  
Ao serviço da Igreja de Beja como Coadjutor

Por Bula de Paulo VI, datada de 24 de outubro de 1974, pouco depois da Revolução de abril, foi nomeado Coadjutor, com direito de sucessão do Arcebispo-Bispo de Beja, D. Manuel dos Santos Rocha, que o pedira ao Santo Padre particularmente para o cuidado pastoral da zona de Sines, então em perspetivas de grande desenvolvimento. A transferência efetivou-se no dia 22 de janeiro de 1975, em tempos particularmente difíceis no Alentejo, nas vésperas do “Verão Quente de 1975”.
Desenvolveu especial ação no campo da organização pastoral, com a criação ou afinação de estruturas, nomeadamente do Secretariado de Coordenação e Animação Pastoral (SCAP), atualização teológico-pastoral do clero e laicado (para o que publicou de 1975 a 1980 o boletim policopiado Informação Pastoral) e programação anual das atividades pastorais.

Bispo de Beja

À resignação do Arcebispo-Bispo D. Manuel dos Santos Rocha, por limite de idade, a 8 de setembro de 1980, D. Manuel Falcão passou a Bispo Residencial. A entrada solene na Sé de Beja fez-se no dia 1 de outubro, escolhido por ser início do ano pastoral e memória litúrgica da padroeira das Missões, Santa Teresa do Menino Jesus. Na continuidade da ação anterior, impulsionou a evangelização da Diocese, especialmente por meio de missões populares de 15 dias, seguidas de visita pastoral às paróquias quanto possível de cinco em cinco anos. Um dos frutos destas missões foi a constituição de numerosas pequenas comunidades eclesiais de oração e catequese.
Acompanhou sempre as reuniões arciprestais do clero; dotou de estatutos os Conselhos Presbiteral e Pastoral; instituiu o Fundo Comum do Clero; e, sobretudo para os sacerdotes idosos ou doentes, promoveu a construção da Residência PAX do Clero de Beja, numa ala disponível do Seminário diocesano.
Em 1993, admitiu à formação, no Centro de Estudos para a Formação de Agentes da Pastoral (CEFAP), instituído anos antes, os quatro primeiros diáconos permanentes, que ordenou em 1995.
Remodelou o Seminário, na sua orientação e também na sua estrutura física. Impulsionou a pastoral das vocações e o relançamento em novos moldes da OVS (Obra das Vocações e do Seminário). Começou o Pré-Seminário.
Dedicou especial atenção à vida religiosa. Instituiu a Semana dos Consagrados. Visitava anualmente as várias comunidades dos religiosos e religiosas ao serviço da Diocese. Acompanhou de perto a Congregação diocesana das Oblatas do Divino Coração, cujas novas Constituições redigiu e promulgou.
Instituiu em 1980 o Dia Diocesano. Manteve o ritmo trienal das Peregrinações Diocesanas a Fátima, na especial intenção de promover o sentido de Igreja Particular em todos os diocesanos.
Em 1985 fez na Diocese um recenseamento intercalar da prática dominical; e colaborou na realização do 2º recenseamento de âmbito nacional (1991).
Definiu a situação canónico-jurídica de uma trintena de instituições de solidariedade social da Igreja, redigindo os estatutos de várias delas.
Para a defesa e valorização dos bens culturais da Igreja, criou em 1984 o Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese. Erigiu canonicamente o Coro do Carmo, o Museu de Arte Sacra de Santiago do Cacém e o Tesouro da Basílica Real de Castro Verde.
Consolidou as bases financeiras da Diocese, para o que muito contribuiram nomeadamente a renúncia quaresmal do Patriarcado de 1981, oferta tendo em conta a pobreza da Diocese e os anos de serviço em Lisboa, bem como as ajudas dos Bispos e instituições da Alemanha para programas definidos de interesse pastoral.
Adquiriu em condições muito favoráveis o novo Paço, o jazigo dos Bispos no cemitério de Beja e o edifício para o Clube Stella Maris de Sines.  Renovou o Instituto de Nossa Senhora de Fátima e o Colégio de Milfontes, que passou a diocesano. Fez obras de beneficiação na Sé e no Seminário; e reservou parte deste para Centro Diocesano de Pastoral.
Elaborou todos os Relatórios Quinquenais sobre o Estado da Diocese desde o de 1972-1976 e cumpriu todas as Visitas “ad Limina”, desde a sua estadia em Beja ao serviço da Diocese. Presidiu às delegações diocesanas aos Congressos Eucarísticos Internacionais de Lourdes e de Sevilha.
No âmbito da Província Eclesiástica de Évora, a que a Diocese de Beja pertence, manteve íntima colaboração com os respetivos Bispos.
Por ocasião das suas bodas de prata episcopais (22.01.1992), recebeu uma carta autógrafa do Santo Padre e as homenagens da Diocese (dia 25), que lhe fez a oferta de um automóvel novo.
Próximo dos 75 anos, depois de ter sugerido à Santa Sé a nomeação de um Bispo Coadjutor, formalizou, a 2 de fevereiro de 1997, nos termos do Direito Canónico, o pedido de resignação. Esta foi-lhe concedida no dia 25 de janeiro de 1999, ficando como Administrador Apostólico da Diocese até à tomada de posse de seu sucessor D. António Vitalino Fernandes Dantas, no dia 11 de abril.
Resolveu continuar a viver em Beja e, com o assentimento do novo Bispo, passou a usufruir das mesmas instalações no Paço Episcopal.
Depois de ter celebrado, já em Beja, as bodas de prata sacerdotais, em 29 de junho de 1976, celebrou as de ouro no dia 29 de junho de 2001, que a diocese de Beja assinala com uma sessão solene e almoço no Centro Pastoral e uma concelebração eucarística na Sé de Beja, a 7 de julho de 2001.

Semanário diocesano “Notícias de Beja”

O senhor D. Manuel Falcão, que desde os quinze anos escreve nos jornais, soube utilizar, desde a primeira hora, o seu e nosso “Notícias de Beja” como tribuna privilegiada para anunciar o Evangelho e fazer uma correta leitura cristã dos acontecimentos.
Para além da sua colaboração esporádica em reportagens, crónicas e documentos oficiais, o Senhor D. Manuel mantém secções fixas no “Notícias de Beja” há 25 anos, na 2.ª página, sob várias epígrafes: ”Igreja”- de 4 de novembro de 1976 a 30 de setembro de 1982 “Igreja em Notícia”- de 5 de janeiro de 1978 a 3 de janeiro de 1985; “Igreja de Beja em Marcha”- de 10 de janeiro de 1985 a 2 de dezembro de 1989; “Atualidade religiosa” (temas pastorais) - de 7 de outubro de 1982 até 2008; ”Cantinho da Família” - de 14 de dezembro de 1989 a 18 de dezembro de 1997; “Espaço Ludo-Cultural” - de janeiro de 1998 até 2008.
São 24 anos de jornalismo sério, atento e persistente. Sublinhe-se e pasme-se ainda com este pormenor impressionante: os textos do Senhor D. Manuel não falharam em nenhuma semana e chegaram sempre à redação com pontualidade absoluta. Também neste pormenor se nota a organização e a precisão da formação de engenheiro do Senhor D. Manuel Falcão.

Datas marcantes do episcopado de D. Manuel Falcão na diocese de Beja
(Cónego António Mendes Aparício)

25-10-1975 - Assembleia da Diocese para o lançamento do Programa de Ação Pastoral do ano de 1975/1976. (250 participantes)

19-12-1976 – O Papa recebeu os membros do Conselho das Conferências Episcopais da Europa. D. Manuel Falcão representou a Conferência Episcopal portuguesa

22 a 27-09-1980 – 1ª Semana da Reciclagem do Clero, a cargo do ISTE de Évora.

13 a 17-09-1982 – 3º Ciclo de atualização de Teologia Pastoral para o Clero da Diocese.

09-02-1982 – Catequeses Quaresmais, na Sé, sobre a Penitência.

24-03-1982 – Conselho Presbiteral e discussão do Guião Experimental para as missões na Diocese de Beja.

12-08-1982 – Visita Pastoral, em novos moldes, segundo as normas orientadoras. elaboradas pelo SCAP.

16-09-1982 – Decreto da criação do SCAP.

05-10-1982 – 1º Dia Diocesano.

02-02-1983 – Mensagem à Diocese sobre a visita ad Sacra Limina.

19-03-1983 – Carta Jubilar sobre o Jubileu da Redenção.

26 e 27-11-1983 – 1º Encontro da Diocese de Pastoral Litúrgica. (160 participantes).

01-02-1985 – Carta Pastoral sobre a participação dos Fiéis na missão profética da Igreja.

02-02-1985 – Instruções para o recenseamento da prática da Missa dominical

01-05-1985 – Carta Pastoral sobre o Bimilenário de Nossa Senhora.

24-11-1985 – Mensagem Pastoral do Bispo sobre o balanço dos 20 anos do Concilio.

02-01-1986 – Carta Pastoral sobre a vida da Diocese.

01-10-1986 – Mensagem Pastoral do Bispo na abertura do Ano Pastoral de 1986/1987.

2 a 23-11-1986 – Missão Popular da cidade de Beja, a cargo dos Redentoristas, com 12 missionários. Iniciou-se com um cortejo de 400 automóveis, com a Imagem de Nossa Senhora Peregrina, vinda de Serpa.

27-03- 1987 – Projeto de Programa das celebrações do ano mariano.

5 a 11-7-1987 – Visita ad Sacra Limina.

24-07-1987 – Projeto à consideração do Conselho Presbiteral sobre o Congresso

Diocesano dos Leigos.

22-01-1988 – Carta Pastoral sobre o Congresso Diocesano dos Leigos.

17-02-1988 – Mensagem para a Quaresma.

27 e 28-02-1988 – Congresso Diocesano dos leigos. (300 participantes)

17-04-1988 – Bodas de Prata na Diocese do Movimento dos Cursos de Cristandade.

29-06-1988 – Carta Circular aos membros do Presbitério Diocesano sobre a mudança da Equipa do Seminário e a necessidade de imprimir novo dinamismo à Pastoral das Vocações.

24-08-1988 – Entrega à nova equipa do Seminário um documento programático com as linhas de força da renovação do Seminário.

03-12-1988 – Aprovação do Diretório do Ministério Arciprestal.

Novembro de 1989 – número zero do Boletim do Pré-Seminário.

08-09-1990 – Carta Pastoral: “A Reconversão Pastoral do Clero e a renovação do Seminário”.

13-10-1990 – Celebração das Bodas de Ouro do Seminário de Beja.

22-01-1991 – Inauguração da “Casa Pax” do Clero, no 24º aniversário da Ordenação Episcopal do Senhor Bispo.

22-01-1991 – Carta Pastoral do Bispo no aniversário do seu Jubileu Episcopal.

25-01- 1992 – Celebração do Jubileu Episcopal com a presença de 500 pessoas.

27-06-1991 – Encontro Diocesano das pequenas comunidades eclesiais.

8 e 15-02-1992 – 1º Curso Diocesano de Formação de Leitores.

01-10-1993 – Carta Pastoral sobre o Diaconado Permanente na Diocese.

21-11 a 5-12-1993 –Grande Missão Católica na cidade de Beja, a cargo dos Vicentinos, com 12 missionários e 12 irmãs.

05-10-1994 – Inauguração do Novo Pavilhão do Seminário de Beja, durante o Dia Diocesano.

12-04-1995 – Ideias força para a definição da política Pastoral Diocesana.

Novembro de 1995 – Guia para a reflexão Pastoral sobre a Paróquia à luz do Concílio Vaticano II.

Janeiro de 1996 – Reflexão Pastoral sobre o que é evangelizar.

Março de 1996 – Discussão do Guião para a reflexão Pastoral sobre a Catequese de Adultos, à maneira das AA. FF. CC.

25-05-1996 – Bênção e Inauguração do Órgão da Sé.

04-07-1996 – Ordenação dos Primeiros (quatro) Diáconos Permanentes da Diocese.

25-01-1999 – Mensagem de Despedida à Diocese. Nomeação como Administrador da Diocese de Beja até à posse do novo bispo, D. António Vitalino Fernandes Dantas, que tomou posse a 11 de abril de 1999. Ficou a residir na casa episcopal, no mesmo quarto, até à data da sua morte, a 21 de fevereiro de 2012.

23-03-1999 – Homenagem Diocesana.

29-06-2001 – Bodas de ouro sacerdotais, assinaladas na diocese a 7.07.2001. com uma sessão solene e um pontifical na Sé e com a publicação de um livro contendo a sua biografia e os planos pastorais diocesanos do seu episcopado na diocese de Beja.

In Agencia Ecclesia

D. Manuel Falcão - Bispo Emérito de Beja


“Com sentimentos de amizade e solidariedade cristã comunico que na noite de 20 para 21 de fevereiro adormeceu no Senhor, na Casa Episcopal de Beja, na sua cama, o nosso querido D. Manuel Franco de Oliveira Falcão”, indica o atual bispo diocesano, D. António Vitalino.

O corpo do falecido prelado vai ser velado na Sé de Beja; às 18h30 haverá celebração da missa e às 21h00 missa com o Ofício de Leituras.

Esta quarta-feira, pelas 10h30, vão decorrer as exéquias Catedral, seguindo-se o cortejo para o cemitério de Beja, onde será depositada a urna no jazigo dos bispos da diocese.

D. Manuel Franco da Costa de Oliveira Falcão nasceu a 10 de novembro de 1922 em Lisboa; após a conclusão do curso de Engenharia, entrou no seminário, em 1945, e foi ordenado padre pelo cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira.

O novo sacerdote viria a distinguir-se pela promoção dos estudos de sociografia religiosa, a criação e lançamento do Secretariado das Novas Igrejas do Patriarcado, a criação do Secretariado de Informação Religiosa e a publicação do ‘Boletim de Informação Pastoral’ (1959-1970), seguida do ‘ Boletim Diocesano de Pastoral’ do Partriarcado (1968-1975).

O então padre Manuel Falcão procedeu ao primeiro recenseamento da prática dominical no Patriarcado (1955) e fez, em colaboração com a Câmara Municipal de Lisboa e o Estado, o estudo do redimensionamento paroquial da Cidade (1959); mais tarde, já a viver em Beja, promoveu a realização e o apuramento do I Recenseamento da Prática Dominical em todas as dioceses de Portugal (1977).

Por Bula de Paulo VI datada de 6 de dezembro de 1966, foi eleito bispo titular de Telepte e auxiliar do cardeal-patriarca, com a ordenação episcopal a ter lugar a 22 de janeiro de 1967.

A 24 de outubro de 1974, pouco depois da Revolução de abril, foi nomeado coadjutor por Paulo VI, com direito de sucessão do arcebispo-bispo de Beja, D. Manuel dos Santos Rocha, chegando à Diocese em janeiro de 1975.

Aquando da resignação de D. Manuel dos Santos Rocha, por limite de idade, a 8 de setembro de 1980, D. Manuel Falcão passou a bispo diocesano, com entrada solene a 1 de outubro.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, pelo 40.º aniversário da sua ordenação episcopal, o prelado falou dos 19 anos à frente da diocese alentejana, sublinhando o “bom entendimento” com as autarquias comunistas e da “tentativa de evangelizar o Alentejo através das missões populares”.

O falecido bispo criou em 1984 o Departamento do Património Histórico e Artístico e, segundo sublinha a nota biográfica hoje publicada pela Igreja Católica em Beja, “consolidou as bases financeiras da Diocese”.

D. Manuel Falcão resignou a 25 de janeiro de 1999, ficando como Administrador Apostólico da Diocese até à tomada de posse de seu sucessor D. António Vitalino Fernandes Dantas, no dia 11 de abril.

O prelado decidiu continuar a viver em Beja, onde escreveu até à sua morte, no semanário diocesano ‘Notícias de Beja’.

Foi ainda autor da ‘Enciclopédia Católica Popular’, editada pelas Paulinas e disponível no portal da ECCLESIA .
In Agência Ecclesia

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Queres ficar curado?




Senhor Jesus, Pai Santo,
Deus presente no Santíssimo Sacramento, nós Te louvamos, Bendizemos e glori­ficamos.
Te damos graças pelo Teu infinito amor por cada um de nós.
Aqui estamos, Senhor como grão de areia no deserto.
Aqui estamos, Senhor, descalços, à tua espera.
Aqui estamos, Senhor, de coração aberto, à escuta.
Aqui estamos, Senhor, procurando paz na tua resposta.
Para que o sol do teu ser se torne fecundo e penetre o nosso coração com a tua presença.
Queremos estar contigo, sentados, a teus pés, sem pensar, nem procurar, sensíveis ao que nos acontece.
Queremos estar gratuitamente contigo, aqui e agora, atentos à tua palavra, totalmente presente nela.
Queremos unificar o nosso ser com o teu, a nossa vida com a tua, Senhor da aurora.
Tu és, Jesus, a última palavra, acolhida no silêncio de uma dura experiência;
Tu és, Jesus, Boa Nova, que alegra o coração,
Tu és, como o silêncio das noites frias que gota a gota absorve a terra ressequida.
Queremos abandonar o ruído que nos atordoa e escraviza.
Queremos cortar as amarras que cercam a nossa liberdade.
Queremos quebrar, rasgar, forçar, abrir cadeias.
Queremos que ponhas o teu coração terno no pó e no nada da nossa pobreza.
Queremos conhecer, saborear a tua misericórdia para adoçar o nosso coração de pedra.
Queremos que a luz do teu Evangelho ilumine o nosso ser e o arranque da noite cega.
Dá-nos, Senhor, o auto-domínio, o controlo e a vigilância pois desejamos ser servidores do teu Reino.
Queremos ser livres e ainda nos sentimos manipulados.
Aqui estamos, Senhor, na tua presença, para que a tua palavra nos ilumine e nos faça regressar às origens, ao paraíso e assim possamos descobrir o silêncio fecundo do teu misterioso amor por nós.
Fica connosco Senhor, nesta noite e sempre.
Amém.