segunda-feira, 27 de junho de 2011

Convite do Papa Bento XVI para a JMJ 2011 (Parte4)

Firmes na fé

3. «Enraizados e fundados em Cristo... firmes na fé» (cf. Cl 2, 7). A Carta da qual é tirado este convite, foi escrita por São Paulo para responder a uma necessidade precisa dos cristãos da cidade de Colossos. Com efeito, aquela comunidade estava ameaçada pela influência de determinadas tendências culturais da época, que afastavam os fiéis do Evangelho. O nosso contexto cultural, queridos jovens, tem numerosas analogias com o tempo dos Colossenses daquela época. De facto, há uma forte corrente de pensamento laicista que pretende marginalizar Deus da vida das pessoas e da sociedade, perspectivando e tentando criar um «paraíso» sem Ele. Mas a experiência ensina que o mundo sem Deus se torna um «inferno»: prevalecem os egoísmos, as divisões nas famílias, o ódio entre as pessoas e entre os povos, a falta de amor, de alegria e de esperança. Ao contrário, onde as pessoas e os povos acolhem a presença de Deus, o adoram na verdade e ouvem a sua voz, constrói-se concretamente a civilização do amor, na qual todos são respeitados na sua dignidade, cresce a comunhão, com os frutos que ela dá. Contudo existem cristãos que se deixam seduzir pelo modo de pensar laicista, ou são atraídos por correntes religiosas que afastam da fé em Jesus Cristo. Outros, sem aderir a estas chamadas, simplesmente deixaram esmorecer a sua fé, com inevitáveis consequências negativas a nível moral.
Aos irmãos contagiados por ideias alheias ao Evangelho, o apóstolo Paulo recorda o poder de Cristo morto e ressuscitado. Este mistério é o fundamento da nossa vida, o centro da fé cristã. Todas as filosofias que o ignoram, que o consideram «escândalo» (1 Cor 1, 23), mostram os seus limites diante das grandes perguntas que habitam o coração do homem. Por isso também eu, como Sucessor do apóstolo Pedro, desejo confirmar-vos na fé (cf. Lc 22, 32). Nós cremos firmemente que Jesus Cristo se ofereceu na Cruz para nos doar o seu amor; na sua paixão, carregou os nossos sofrimentos, assumiu sobre si os nossos pecados, obteve-nos o perdão e reconciliou-nos com Deus Pai, abrindo-nos o caminho da vida eterna. Deste modo fomos libertados do que mais entrava a nossa vida: a escravidão do pecado, e podemos amar a todos, até os inimigos, e partilhar este amor com os irmãos mais pobres e em dificuldade.
Queridos amigos, muitas vezes a Cruz assusta-nos, porque parece ser a negação da vida. Na realidade, é o contrário! Ela é o «sim» de Deus ao homem, a expressão máxima do seu amor e a nascente da qual brota a vida eterna. De facto, do coração aberto de Jesus na cruz brotou esta vida divina, sempre disponível para quem aceita erguer os olhos para o Crucificado. Portanto, não posso deixar de vos convidar a aceitar a Cruz de Jesus, sinal do amor de Deus, como fonte de vida nova. Fora de Cristo morto e ressuscitado, não há salvação! Só Ele pode libertar o mundo do mal e fazer crescer o Reino de justiça, de paz e de amor pelo qual todos aspiram.

domingo, 26 de junho de 2011

Amar a Deus - referência absoluta do amor aos outros


A opção vital por Cristo remete para a opção pelos outros, os pais e os filhos, os irmãos, os amigos e os inimigos. Ele é a fonte de todo o Amor com que amamos aqueles e aquelas a quem pertencemos pelos laços que nos unem, e pelos compromissos que assumimos na construção de um mundo em paz e com segurança. Uma tal pertença implica tomar a nossa cruz, entendida como o esforço árduo e quotidiano por uma coerência quase irrepreensível entre a fé que professamos e a vida como a vivemos, nas palavras e nos actos. É que esta coerência, na consciência da missão, enquanto enviados de Cristo, não se alcança de maneira plena e definitiva uma vez por todas. Na sua expressão global, sintética e definitivamente estruturada ou nos seus aspectos parciais que se integram reciprocamente pode sofrer, e de facto quase sempre experimenta, vicissitudes e problemas de todo o tipo. Por isso, sempre haveremos de necessitar de quem nos dê de beber, nem que seja um copo de água fresca, isto é, de quem nos ajude e nos apoie, através do perdão e da solidariedade, no caminho da fidelidade a Jesus Cristo, sabendo que uma tão eficaz e generosa ajuda jamais será esquecida no coração misericordioso de Deus.
Luís
[reflexão sobre a passagem do Evangelho segundo S. Mateus, 10, 37-42]

Convite do Papa Bento XVI para a JMJ 2011 (Parte3)

Enraizados e fundados em Cristo

2. Para ressaltar a importância da fé na vida dos crentes, gostaria de me deter sobre cada uma das três palavras que São Paulo usa nesta sua expressão: «Enraizados e fundados em Cristo... firmes na fé» (cf. Cl 2, 7). Nela podemos ver três imagens: «enraizado» recorda a árvore e as raízes que a alimentam; «fundado» refere-se à construção de uma casa; «firme» evoca o crescimento da força física e moral. Trata-se de imagens muito eloquentes. Antes de as comentar, deve-se observar simplesmente que no texto original as três palavras, sob o ponto de vista gramatical, estão no passivo: isto significa que é o próprio Cristo quem toma a iniciativa de radicar, fundar e tornar firmes os crentes.
A primeira imagem é a da árvore, firmemente plantada no solo através das raízes, que a tornam estável e a alimentam. Sem raízes, seria arrastada pelo vento e morreria. Quais são as nossas raízes? Naturalmente, os pais, a família e a cultura do nosso país, que são uma componente muito importante da nossa identidade. A Bíblia revela outra. O profeta Jeremias escreve: «Bendito o homem que deposita a confiança no Senhor, e cuja esperança é o Senhor. É como a árvore plantada perto da água, a qual estende as raízes para a corrente; não teme quando vem o calor, a sua folhagem fica sempre verdejante. Não a inquieta a seca de um ano; continua a produzir frutos» (Jr 17, 7-8). Estender as raízes, para o profeta, significa ter confiança em Deus. D’Ele obtemos a nossa vida; sem Ele não poderíamos viver verdadeiramente. «Deus deu-nos a vida eterna, e esta vida está em Seu Filho» (1 Jo 5, 11). O próprio Jesus apresenta-se como nossa vida (cf. Jo 14, 6). Por isso a fé cristã não é só crer em verdades, mas é antes de tudo uma relação pessoal com Jesus Cristo, é o encontro com o Filho de Deus, que dá a toda a existência um novo dinamismo. Quando entramos em relação pessoal com Ele, Cristo revela-nos a nossa identidade e, na sua amizade, a vida cresce e realiza-se em plenitude. Há um momento, quando somos jovens, em que cada um de nós se pergunta: que sentido tem a minha vida, que finalidade, que orientação lhe devo dar? É uma fase fundamental, que pode perturbar o ânimo, às vezes também por muito tempo. Pensa-se no tipo de trabalho a empreender, quais relações sociais estabelecer, que afectos desenvolver... Neste contexto, penso de novo na minha juventude. De certa forma muito cedo tive a consciência de que o Senhor me queria sacerdote. Mais tarde, depois da Guerra, quando no seminário e na universidade eu estava a caminho para esta meta, tive que reconquistar esta certeza. Tive que me perguntar: é este verdadeiramente o meu caminho? É deveras esta a vontade do Senhor para mim? Serei capaz de Lhe permanecer fiel e de estar totalmente disponível para Ele, ao Seu serviço? Uma decisão como esta deve ser também sofrida. Não pode ser de outra forma. Mas depois surgiu a certeza: é bem assim! Sim, o Senhor quer-me, por isso também me dará a força. Ao ouvi-Lo, ao caminhar juntamente com Ele torno-me deveras eu mesmo. Não conta a realização dos meus próprios desejos, mas a Sua vontade. Assim a vida torna-se autêntica.
Tal como as raízes da árvore a mantêm firmemente plantada na terra, também os fundamentos dão à casa uma estabilidade duradoura. Mediante a fé, nós somos fundados em Cristo (cf. Cl 2, 7), como uma casa é construída sobre os fundamentos. Na história sagrada temos numerosos exemplos de santos que edificaram a sua vida sobre a Palavra de Deus. O primeiro foi Abraão. O nosso pai na fé obedeceu a Deus que lhe pedia para deixar a casa paterna a fim de se encaminhar para uma terra desconhecida. «Abraão acreditou em Deus e isso foi-lhe atribuído à conta de justiça e foi chamado amigo de Deus» (Tg 2, 23). Estar fundados em Cristo significa responder concretamente à chamada de Deus, confiando n’Ele e pondo em prática a sua Palavra. O próprio Jesus admoesta os seus discípulos: «Porque me chamais: “Senhor, Senhor” e não fazeis o que Eu digo?» (Lc 6, 46). E, recorrendo à imagem da construção da casa, acrescenta: «todo aquele que vem ter Comigo, escuta as Minhas palavras e as põe em prática, é semelhante a um homem que construiu uma casa: Cavou, aprofundou e assentou os alicerces sobre a rocha. Sobreveio a inundação, a torrente arremessou-se com violência contra aquela casa e não pôde abalá-la por ter sido bem construída» (Lc 6, 47-48).
Queridos amigos, construí a vossa casa sobre a rocha, como o homem que «cavou muito profundamente». Procurai também vós, todos os dias, seguir a Palavra de Cristo. Senti-O como o verdadeiro Amigo com o qual partilhar o caminho da vossa vida. Com Ele ao vosso lado sereis capazes de enfrentar com coragem e esperança as dificuldades, os problemas, também as desilusões e as derrotas. São-vos apresentadas continuamente propostas mais fáceis, mas vós mesmos vos apercebeis que se revelam enganadoras, que não vos dão serenidade e alegria. Só a Palavra de Deus nos indica o caminho autêntico, só a fé que nos foi transmitida é a luz que ilumina o caminho. Acolhei com gratidão este dom espiritual que recebestes das vossas famílias e comprometei-vos a responder com responsabilidade à chamada de Deus, tornando-vos adultos na fé. Não acrediteis em quantos vos dizem que não tendes necessidade dos outros para construir a vossa vida! Ao contrário, apoiai-vos na fé dos vossos familiares, na fé da Igreja, e agradecei ao Senhor por a ter recebido e feito vossa!

sábado, 25 de junho de 2011

Festa do Corpo de Deus

No passado dia 23 Junho, celebrou-se o Dia do Corpo de Deus. Em Beja, realizou-se a tradicional Procissão do Santíssimo Sacramento pelas ruas da cidade, organizada pela Paróquia de Santiago Maior (Sé) e foi presidida pelo Bispo de Beja, D. António Vitalino Dantas.




Foi mais um lindo momento em que o povo de Beja manifestou em peso a sua devoção a Jesus presente no Santíssimo Sacramento. No próximo ano, a Festa do Corpo de Deus será preparada pela Paróquia de Santa Maria.

Se alguém tiver mais fotografias da Festa que gostasse de ver publicadas no blog, poderá enviar para jovenshema@gmail.com . Obrigado

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Santíssimo Milagre de Santarém

Entre os anos 1225 e 1247, havia uma mulher em Santarém que se sentia muito infeliz, porque o seu marido lhe era infiel, demonstrando que já não a amava. Querendo salvar o seu casamento, ouviu a sugestão de pessoas amigas e procurou a orientação e o serviço de uma feiticeira. A bruxa logo lhe prometeu fazer com que o seu marido mudasse de conduta, isto se ela seguisse as suas recomendações. Pediu que a mulher lhe levasse uma Hóstia Consagrada. Diante do espanto da mulher, a feiticeira instruiu-a dizendo que fingisse uma doença e a comunicasse à Igreja, assim ela poderia receber a Comunhão durante a semana e teria oportunidade de levar a Hóstia Consagrada para ela fazer o trabalho. A mulher ficou aterrorizada, porque sabia que isto era um abominável sacrilégio.
Permaneceu em silêncio. Saiu da presença da feiticeira e durante algum tempo pensou naquele pedido, tentando solucionar a dúvida que afligia o seu coração. Por fim, imaginando a possibilidade de converter o marido e alcançar a sonhada felicidade que buscava para a sua vida matrimonial, inventou uma grande mentira e contou ao sacerdote, a fim de conseguir a devida autorização.
O pároco concedeu a licença e ela foi receber a Sagrada Comunhão na Igreja de Santo Esteves. No momento da Comunhão, ela estava visivelmente emocionada e com um imenso peso na consciência. Ao receber Jesus Sacramentado na língua, não consumiu a Hóstia. Guardou-a e deixou a Igreja imediatamente, seguindo em direção da casa da feiticeira. A Partícula Sagrada começou a sangrar. Várias pessoas notaram manchas de sangue na sua roupa e pensaram que ela estivesse com algum problema de saúde, com alguma hemorragia. Diante do acontecido, o medo tomou conta de seu coração. Decidiu não continuar com o projecto. Levou a Hóstia Consagrada para casa, envolveu-a num lenço bem limpo e completou a protecção com um tecido de linho branco e depois a colocou num baú que possuía no quarto de casal.
Todavia, durante a noite ela e o marido foram acordados por uma radiação clara e luminosa que vinha do baú e iluminava inteiramente o quarto. Espantados e comovidos, viram dois Anjos abrirem o baú e libertarem Nosso Senhor Eucarístico daquela prisão. Sem palavras e admirados com aquele facto, viram a pequena Hóstia branca bem no meio do lenço aberto. E diante daquela realidade, chorando e arrependida pelo pecado, a esposa contou ao marido toda a verdade sobre o acontecido. Ambos chorando e emocionados passaram a noite de joelhos rezando diante Jesus Eucarístico, suplicando perdão por aquele terrível desatino. Em estado de vigília e adoração ali permaneceram até a manhã do dia seguinte, quando vieram diversas pessoas. Elas foram atraídas por lampejos e brilhos como se fossem pequenos relâmpagos, que saíam do telhado da casa. Repletas de curiosidade, foram até o local para saber o que estava acontecendo. Foi então que conheceram o facto, narrado pela voz emocionada do casal e, assim, testemunharam o notável milagre.
Um padre foi convidado a comparecer e levou a Hóstia Consagrada em procissão para a Igreja. Por ordem superior, a Partícula foi colocada em cera de abelha e lacrada num recipiente. Dezenove anos depois aconteceu outro milagre. Um outro sacerdote abrindo o Tabernáculo, notou que o recipiente de cera que guardava a Hóstia havia quebrado o lacre e a Partícula Sagrada transformara-se em Sangue do Senhor, que permaneceu visível dentro de um recipiente cristalino fechado. As autoridades eclesiásticas em respeito, objetivando homenagear a Manifestação Divina, encomendaram um precioso Relicário onde colocaram o Milagre, que se mantém na Igreja do Santo Milagre, para a visitação e veneração dos fiéis. Desde aquela época até hoje, todos os anos, no segundo domingo do mês de Abril, o Relicário em procissão, percorre as ruas de Santarém, até a casa onde morava aquela mulher. Na mencionada casa construíram um respeitoso Altar, transformando a residência em Capela diocesana.

Juraci Josino Cavalcante, Milagres Eucarísticos