domingo, 26 de junho de 2011

Convite do Papa Bento XVI para a JMJ 2011 (Parte3)

Enraizados e fundados em Cristo

2. Para ressaltar a importância da fé na vida dos crentes, gostaria de me deter sobre cada uma das três palavras que São Paulo usa nesta sua expressão: «Enraizados e fundados em Cristo... firmes na fé» (cf. Cl 2, 7). Nela podemos ver três imagens: «enraizado» recorda a árvore e as raízes que a alimentam; «fundado» refere-se à construção de uma casa; «firme» evoca o crescimento da força física e moral. Trata-se de imagens muito eloquentes. Antes de as comentar, deve-se observar simplesmente que no texto original as três palavras, sob o ponto de vista gramatical, estão no passivo: isto significa que é o próprio Cristo quem toma a iniciativa de radicar, fundar e tornar firmes os crentes.
A primeira imagem é a da árvore, firmemente plantada no solo através das raízes, que a tornam estável e a alimentam. Sem raízes, seria arrastada pelo vento e morreria. Quais são as nossas raízes? Naturalmente, os pais, a família e a cultura do nosso país, que são uma componente muito importante da nossa identidade. A Bíblia revela outra. O profeta Jeremias escreve: «Bendito o homem que deposita a confiança no Senhor, e cuja esperança é o Senhor. É como a árvore plantada perto da água, a qual estende as raízes para a corrente; não teme quando vem o calor, a sua folhagem fica sempre verdejante. Não a inquieta a seca de um ano; continua a produzir frutos» (Jr 17, 7-8). Estender as raízes, para o profeta, significa ter confiança em Deus. D’Ele obtemos a nossa vida; sem Ele não poderíamos viver verdadeiramente. «Deus deu-nos a vida eterna, e esta vida está em Seu Filho» (1 Jo 5, 11). O próprio Jesus apresenta-se como nossa vida (cf. Jo 14, 6). Por isso a fé cristã não é só crer em verdades, mas é antes de tudo uma relação pessoal com Jesus Cristo, é o encontro com o Filho de Deus, que dá a toda a existência um novo dinamismo. Quando entramos em relação pessoal com Ele, Cristo revela-nos a nossa identidade e, na sua amizade, a vida cresce e realiza-se em plenitude. Há um momento, quando somos jovens, em que cada um de nós se pergunta: que sentido tem a minha vida, que finalidade, que orientação lhe devo dar? É uma fase fundamental, que pode perturbar o ânimo, às vezes também por muito tempo. Pensa-se no tipo de trabalho a empreender, quais relações sociais estabelecer, que afectos desenvolver... Neste contexto, penso de novo na minha juventude. De certa forma muito cedo tive a consciência de que o Senhor me queria sacerdote. Mais tarde, depois da Guerra, quando no seminário e na universidade eu estava a caminho para esta meta, tive que reconquistar esta certeza. Tive que me perguntar: é este verdadeiramente o meu caminho? É deveras esta a vontade do Senhor para mim? Serei capaz de Lhe permanecer fiel e de estar totalmente disponível para Ele, ao Seu serviço? Uma decisão como esta deve ser também sofrida. Não pode ser de outra forma. Mas depois surgiu a certeza: é bem assim! Sim, o Senhor quer-me, por isso também me dará a força. Ao ouvi-Lo, ao caminhar juntamente com Ele torno-me deveras eu mesmo. Não conta a realização dos meus próprios desejos, mas a Sua vontade. Assim a vida torna-se autêntica.
Tal como as raízes da árvore a mantêm firmemente plantada na terra, também os fundamentos dão à casa uma estabilidade duradoura. Mediante a fé, nós somos fundados em Cristo (cf. Cl 2, 7), como uma casa é construída sobre os fundamentos. Na história sagrada temos numerosos exemplos de santos que edificaram a sua vida sobre a Palavra de Deus. O primeiro foi Abraão. O nosso pai na fé obedeceu a Deus que lhe pedia para deixar a casa paterna a fim de se encaminhar para uma terra desconhecida. «Abraão acreditou em Deus e isso foi-lhe atribuído à conta de justiça e foi chamado amigo de Deus» (Tg 2, 23). Estar fundados em Cristo significa responder concretamente à chamada de Deus, confiando n’Ele e pondo em prática a sua Palavra. O próprio Jesus admoesta os seus discípulos: «Porque me chamais: “Senhor, Senhor” e não fazeis o que Eu digo?» (Lc 6, 46). E, recorrendo à imagem da construção da casa, acrescenta: «todo aquele que vem ter Comigo, escuta as Minhas palavras e as põe em prática, é semelhante a um homem que construiu uma casa: Cavou, aprofundou e assentou os alicerces sobre a rocha. Sobreveio a inundação, a torrente arremessou-se com violência contra aquela casa e não pôde abalá-la por ter sido bem construída» (Lc 6, 47-48).
Queridos amigos, construí a vossa casa sobre a rocha, como o homem que «cavou muito profundamente». Procurai também vós, todos os dias, seguir a Palavra de Cristo. Senti-O como o verdadeiro Amigo com o qual partilhar o caminho da vossa vida. Com Ele ao vosso lado sereis capazes de enfrentar com coragem e esperança as dificuldades, os problemas, também as desilusões e as derrotas. São-vos apresentadas continuamente propostas mais fáceis, mas vós mesmos vos apercebeis que se revelam enganadoras, que não vos dão serenidade e alegria. Só a Palavra de Deus nos indica o caminho autêntico, só a fé que nos foi transmitida é a luz que ilumina o caminho. Acolhei com gratidão este dom espiritual que recebestes das vossas famílias e comprometei-vos a responder com responsabilidade à chamada de Deus, tornando-vos adultos na fé. Não acrediteis em quantos vos dizem que não tendes necessidade dos outros para construir a vossa vida! Ao contrário, apoiai-vos na fé dos vossos familiares, na fé da Igreja, e agradecei ao Senhor por a ter recebido e feito vossa!

sábado, 25 de junho de 2011

Festa do Corpo de Deus

No passado dia 23 Junho, celebrou-se o Dia do Corpo de Deus. Em Beja, realizou-se a tradicional Procissão do Santíssimo Sacramento pelas ruas da cidade, organizada pela Paróquia de Santiago Maior (Sé) e foi presidida pelo Bispo de Beja, D. António Vitalino Dantas.




Foi mais um lindo momento em que o povo de Beja manifestou em peso a sua devoção a Jesus presente no Santíssimo Sacramento. No próximo ano, a Festa do Corpo de Deus será preparada pela Paróquia de Santa Maria.

Se alguém tiver mais fotografias da Festa que gostasse de ver publicadas no blog, poderá enviar para jovenshema@gmail.com . Obrigado

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Santíssimo Milagre de Santarém

Entre os anos 1225 e 1247, havia uma mulher em Santarém que se sentia muito infeliz, porque o seu marido lhe era infiel, demonstrando que já não a amava. Querendo salvar o seu casamento, ouviu a sugestão de pessoas amigas e procurou a orientação e o serviço de uma feiticeira. A bruxa logo lhe prometeu fazer com que o seu marido mudasse de conduta, isto se ela seguisse as suas recomendações. Pediu que a mulher lhe levasse uma Hóstia Consagrada. Diante do espanto da mulher, a feiticeira instruiu-a dizendo que fingisse uma doença e a comunicasse à Igreja, assim ela poderia receber a Comunhão durante a semana e teria oportunidade de levar a Hóstia Consagrada para ela fazer o trabalho. A mulher ficou aterrorizada, porque sabia que isto era um abominável sacrilégio.
Permaneceu em silêncio. Saiu da presença da feiticeira e durante algum tempo pensou naquele pedido, tentando solucionar a dúvida que afligia o seu coração. Por fim, imaginando a possibilidade de converter o marido e alcançar a sonhada felicidade que buscava para a sua vida matrimonial, inventou uma grande mentira e contou ao sacerdote, a fim de conseguir a devida autorização.
O pároco concedeu a licença e ela foi receber a Sagrada Comunhão na Igreja de Santo Esteves. No momento da Comunhão, ela estava visivelmente emocionada e com um imenso peso na consciência. Ao receber Jesus Sacramentado na língua, não consumiu a Hóstia. Guardou-a e deixou a Igreja imediatamente, seguindo em direção da casa da feiticeira. A Partícula Sagrada começou a sangrar. Várias pessoas notaram manchas de sangue na sua roupa e pensaram que ela estivesse com algum problema de saúde, com alguma hemorragia. Diante do acontecido, o medo tomou conta de seu coração. Decidiu não continuar com o projecto. Levou a Hóstia Consagrada para casa, envolveu-a num lenço bem limpo e completou a protecção com um tecido de linho branco e depois a colocou num baú que possuía no quarto de casal.
Todavia, durante a noite ela e o marido foram acordados por uma radiação clara e luminosa que vinha do baú e iluminava inteiramente o quarto. Espantados e comovidos, viram dois Anjos abrirem o baú e libertarem Nosso Senhor Eucarístico daquela prisão. Sem palavras e admirados com aquele facto, viram a pequena Hóstia branca bem no meio do lenço aberto. E diante daquela realidade, chorando e arrependida pelo pecado, a esposa contou ao marido toda a verdade sobre o acontecido. Ambos chorando e emocionados passaram a noite de joelhos rezando diante Jesus Eucarístico, suplicando perdão por aquele terrível desatino. Em estado de vigília e adoração ali permaneceram até a manhã do dia seguinte, quando vieram diversas pessoas. Elas foram atraídas por lampejos e brilhos como se fossem pequenos relâmpagos, que saíam do telhado da casa. Repletas de curiosidade, foram até o local para saber o que estava acontecendo. Foi então que conheceram o facto, narrado pela voz emocionada do casal e, assim, testemunharam o notável milagre.
Um padre foi convidado a comparecer e levou a Hóstia Consagrada em procissão para a Igreja. Por ordem superior, a Partícula foi colocada em cera de abelha e lacrada num recipiente. Dezenove anos depois aconteceu outro milagre. Um outro sacerdote abrindo o Tabernáculo, notou que o recipiente de cera que guardava a Hóstia havia quebrado o lacre e a Partícula Sagrada transformara-se em Sangue do Senhor, que permaneceu visível dentro de um recipiente cristalino fechado. As autoridades eclesiásticas em respeito, objetivando homenagear a Manifestação Divina, encomendaram um precioso Relicário onde colocaram o Milagre, que se mantém na Igreja do Santo Milagre, para a visitação e veneração dos fiéis. Desde aquela época até hoje, todos os anos, no segundo domingo do mês de Abril, o Relicário em procissão, percorre as ruas de Santarém, até a casa onde morava aquela mulher. Na mencionada casa construíram um respeitoso Altar, transformando a residência em Capela diocesana.

Juraci Josino Cavalcante, Milagres Eucarísticos

Pão - Eucaristia

De sol a sol, o arado lavra a terra.
De sol a sol, cai o suor ao chão.
E como cada gota é um grão
Da sementeira,
É puro sofrimento que, à torreira
Da futura colheita,
Ceifa, malha e peneira
A fome insatisfeita.

Miguel Torga, O Pâo

A Eucaristia é pão - o pão vivo descido do céu -, e tem em si como destino a vida, está em função da vida, porque é vida. O mundo tem fome de pão e tem no seu coração o desejo forte de viver. A fome no mundo, como a fome das multidões para as quais Jesus multiplicou os pães, é o sinal permanente da fome de Deus na história. A vocação da humanidade é uma vocação eucarística. Essa realiza-se lentamente mas progressivamente. A figura deste mundo certamente passa, enquanto o novo mundo já se entrevê aí onde o corpo da humanidade nova cresce como uma nova comunhão fraterna. A Eucaristia coloca-se no mundo como o poder transfigurador do mistério pascal de Cristo. Urge desejar e orar para que existam cada vez mais cristãos capazes de crer nesta difícil mas possível transfiguração.
Luís

Corpo de Deus


Dá graças ao teu Senhor
Dá graças a Deus, teu Pai
Dá graças porque Ele te deu, Jesus Cristo, Seu Filho.

Então, todo fraco diz: sou forte
Todo o pobre diz: sou rico
Porque Deus fez maravilhas, por nós.