- Incredulidade ou negligência do celebrante:
O mais antigo milagre eucarístico (Lanciano) teve como causa principal a incredulidade do celebrante. Outros milagres tiveram a mesma causa (mais ou menos quinze, documentados). Houve um caso, porém, que denota não só incredulidade, mas irreverência, como o de Cássia, quando o sacerdote colocou a Partícula consagrada dentro do Breviário. Talvez o que denota maior gravidade, pois ocasionou um milagre mais portentoso, foi o de Regensburg em que o próprio Crucifixo que estava no altar estende sua mão e toma o cálice da mão do celebrante.
No primeiro milagre de Florença (1230), nota-se que houve também negligência do celebrante, pois havia deixado algumas gotas de vinho consagrado no cálice: provavelmente não o ingeriu completamente durante a Missa. No milagre de Roma (o de 1610), o celebrante não só duvidou da Real Presença na Hóstia consagrada, mas agiu também negligentemente deixando-A cair no chão. Em outros dois casos, nos milagres de Alkmaar e de Boxtel Hoogstraten, ambos na Holanda, os celebrantes negligentemente deixaram derramar o vinho consagrado (quer dizer, o Sangue de Cristo) sobre o altar.
Diversos foram os milagres decorrentes de incêndios ocorridos em capelas, igrejas e santuários. Não se sabe se todos foram propositados ou não, sendo mais provável que, na sua maioria, tenham sido ocasional ou por causa de negligência daqueles que cuidam das coisas sagradas. Em Faverney, Pressac, Wilsnack, Florença (no milagre de 1595), Morrovalle, Amsterdão e Stiphout, ocorreram os mais conhecidos. Em Pressac, embora o cálice se tenha derretido completamente, a Hóstia que estava dentro dele permaneceu intacta. Em Wilsnack, as Hóstias não só estavam intactas após o incêndio, mas também sangrando, o que talvez indique que o acidente foi proporcionado.
O milagre de Amsterdão, no entanto, tem uma particularidade: não foi decorrente de um incêndio ocorrido numa igreja, mas do fogo de uma lareira, na qual uma empregada havia jogado uma Hóstia consagrada que seu patrão vomitara minutos antes: a Sagrada Partícula salvou-se do fogo flutuando milagrosamente na lareira.
- Sacrilégios, roubos e profanações
Uma grande quantidade de milagres eucarísticos ocorreram após ter havido sacrilégios, roubos e profanações do Santíssimo Sacramento. Muitos casos, como o de Santarém, o narrado por São Pedro Damião e o de Ettiswil, na Suíça, foram cometidos por pessoas que receberam a Comunhão, tiraram a Hóstia da boca logo depois e a levaram para ser profanada por algum feiticeiro. Em outros casos foram hereges ou ateus que conseguiram obter as Sagradas Espécies, ou roubando ou por intermédio de alguém, para fazer uma profanação acintosa contra Cristo, como o ocorrido com as Sagradas Hóstias do "El Escorial", de Bruxelas, na Bélgica, de Paris (em 1290), de Poznan, na Polónia, e de Alcoy, na Espanha.
Em outros casos, o ladrão nem sequer chegou a consumar completamente o sacrilégio ou profanação, como o ocorrido em Weiten-Raxendorf, na Áustria, e Herentals, na Bélgica. Nos casos de Augsburg, Bettbrunn e Erding, todos na Alemanha, o roubo deu-se porque os fiéis (uma senhora e dois camponeses), por uma piedade ignorante ou falsa, queriam ter o Santíssimo dentro de casa e, como não era permitido, resolveram roubá-Lo.
E no caso de uma comunhão indigna, estando a pessoa em estado de pecado mortal? Temos então o milagre ocorrido em Mogoro, no ano 1604, quando dois homens tiveram suas línguas queimadas logo após comungarem indignamente: cuspiram as Hóstias na mesma hora e em seguida explicaram ao sacerdote que elas estavam como carvões em brasa na boca.
Em Patierno (Nápoles) as Sagradas Espécies foram roubadas por duas vezes: na primeira, em 1772, ocorreu o fenómeno da recuperação milagrosa, mas na segunda, ocorrida já no século XX, em 1978, nada ocorreu e, lamentavelmente, as partículas estão desaparecidas até hoje.
Juraci Josino Cavalcante, Milagres Eucarísticos