quinta-feira, 23 de junho de 2011

Pão - Eucaristia

De sol a sol, o arado lavra a terra.
De sol a sol, cai o suor ao chão.
E como cada gota é um grão
Da sementeira,
É puro sofrimento que, à torreira
Da futura colheita,
Ceifa, malha e peneira
A fome insatisfeita.

Miguel Torga, O Pâo

A Eucaristia é pão - o pão vivo descido do céu -, e tem em si como destino a vida, está em função da vida, porque é vida. O mundo tem fome de pão e tem no seu coração o desejo forte de viver. A fome no mundo, como a fome das multidões para as quais Jesus multiplicou os pães, é o sinal permanente da fome de Deus na história. A vocação da humanidade é uma vocação eucarística. Essa realiza-se lentamente mas progressivamente. A figura deste mundo certamente passa, enquanto o novo mundo já se entrevê aí onde o corpo da humanidade nova cresce como uma nova comunhão fraterna. A Eucaristia coloca-se no mundo como o poder transfigurador do mistério pascal de Cristo. Urge desejar e orar para que existam cada vez mais cristãos capazes de crer nesta difícil mas possível transfiguração.
Luís

Corpo de Deus


Dá graças ao teu Senhor
Dá graças a Deus, teu Pai
Dá graças porque Ele te deu, Jesus Cristo, Seu Filho.

Então, todo fraco diz: sou forte
Todo o pobre diz: sou rico
Porque Deus fez maravilhas, por nós.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Festa do Corpus Christi em Beja

«Ficarei convosco até ao fim dos tempos» (Mt28, 20)


 
Foi esta a promessa de Jesus. E a forma que Jesus escolheu para ficar entre nós foi na Sua presença real no Santíssimo Sacramento, o Corpo de Deus.

Amanhã, dia 23 de Junho, a Igreja celebra o Corpo de Deus e a Sua presença real entre nós.


Eis o programa das comemorações deste dia em Beja:

11:30 - Celebração eucarística do Corpo de Deus (Sé)
15:30 - Adoração ao Santíssimo Sacramento conduzida pelos Irmãozinhos de S. Fracisco de Assis (Sé)
17:30 - Procissão do Corpo de Deus pelas ruas da cidade, da Igreja da Sé para a Igreja de Santa Maria
19:00 - Celebração eucarística do Corpo de Deus (Igreja de Santa Maria)

Milagres Eucarísticos - Natureza dos Milagres

  • Hóstias transforma-se em carne e vinho em sangue
Muitos foram os milagres em que as Sagradas Espécies se transformaram em carne e sangue. O principal e mais antigo deles é o de Lanciano, visto até à actualidade. O mesmo ocorreu em Middleburg, na Bélgica, em Augsburg, na Alemanha, em Alatri e em Bagno di Romagna, em Itália. Em Espanha, o sacerdote não conseguiu engolir a Hóstia, transformada em carne. Em "O Cebreiro", também em Espanha, ambas as espécies, Hóstia e Vinho, transformaram-se em carne e sangue ao mesmo tempo à hora da Missa.
No entanto, o caso mais espantoso foi o narrado no Apoftegma dos Monges do Deserto, num lugar do Egipto chamado Scete. Como um monge duvidasse da  real presença de Cristo na Eucaristia, na hora da consagração foi visto próximo ao altar o Menino Jesus ao lado de um Anjo armado de uma espada (que logo O imolou), de cuja carne foi oferecida como Hóstia aos monges para que comungassem.
Em Daroca, na Espanha, Bolsena e Offida, em Itália, as Hóstias transformaram-se em Sangue e em Bagno di Romagna, em Itália, e Alkmaar, Boxmeer e Boxtel, na Holanda, foi o vinho que se transformou.

  • Hóstias que sangram
Nestes casos, as sagradas espécies, especialmente as Hóstias, não se transformaram em carne, mas sangraram. Hóstias sangraram em Santarém, Hasselt, em Corcum (as Hóstias que estão no "El Escorial"), Guadalupe, Macerata, Fiecht, Bois-Seigneur-Isaac, Bruxelas, Herkeronde, Ludbreg, Blanot, Dijon, Bernningen, Wilsnack, Asti, Roma, Trani, etc. Algumas chegam até a esguichar sangue.
  • Hóstias que flutuam e/ou brilham
Após algum sacrilégio, o milagre iniciava-se geralmente com o sangramento das hóstias, mas logo depois, no lugar onde o profanador as escondia, elas começavam a brilhar para que os fiéis as encontrassem. Isto deu-se especialmente nos milagres de Santarém e Herentals.
Em outros milagres, porém, as Sagradas Espécies ficavam flutuando, sozinhas ou juntamente com o ostensório, para escapar a algum incêndio, como o ocorrido em Faverney, ou de profanadores, como o de Paris (ano de 1290), Volterra (Itália), ou então sem motivo aparente, como os de Douai e Erding.
  • Manifestações ou Imagens de Cristo na Hóstia
    Em outros milagres a manifestação sobrenatural consistiu numa ação explícita de Nosso Senhor, através da impressão de imagens na Hóstia, como em Waldurn que teve as Suas imagens impressas no Corporal, ou até mesmo de Sua intervenção, como no milagre de Regensburg em que o Crucifixo toma o cálice da mão do celebrante incrédulo.

    • Animais que veneram as Sagradas Espécies
    Em Daroca, a mula que carregava as Espécies milagrosas, após caminhar
    200 milhas em doze dias, finalmente ajoelha-se e cai morta perante o local escolhido pela Providência. Em Sousa, no Brasil, o pastor encontra as ovelhas ajoelhadas venerando a Sagrada Eucaristia no meio do mato e o milagre repete-se dias depois, com as ovelhas ajoelhando-se ao ouvir o toque do sino para a Missa.
    Em Glotowo, na Polónia, os bois estancam respeitosamente perante as Sagradas
    Espécies, que não estavam visíveis, mas enterradas. O mais estupendo, porém, foi o milagre realizado por Santo Antonio em Rímini, na Itália: uma mula, embora faminta havia vários dias, recusa o alimento oferecido e ajoelha-se perante o Ostensório com a Hóstia Consagrada.
    • Castigos
    Alguns milagres eucarísticos realizaram-se com castigos a homens maus e incrédulos. Em Seefeld, o chão abriu-se aos pés de um profanador, em Wilsnack um incrédulo cavaleiro ficou cego e em Santa Maria do Monte saiu uma língua de fogo do Tabernáculo e queimou um soldado que o profanava.
    • Pessoas curadas ou miraculadas
    Em grande parte dos milagres eucarísticos houve muitas curas, algumas na hora, outras depois do milagre eucarístico. Em La Rochelle tivemos a cura instantânea de um menino de 7 anos de idade. Em Marselle, destacam-se as curas de um sacerdote, paralítico e mudo, e de um cego. Milagre mais estupendo foi o ocorrido em Miguel-Juan Pellicer, em Espanha: um aleijado teve sua perna, amputada, completamente restabelecida ao tronco do seu corpo. Muitos outros milagres de curas ocorreram, alguns não mencionados nas crónicas.

    • Vencendo as forças da Natureza
    Grande parte dos milagres eucarísticos deu-se vencendo as próprias forças da natureza. Em Avignon as águas de uma enchente afastam-se como as do Mar Vermelho no tempo de Moisés, permitindo que o Santíssimo fosse retirado são e salvo do Sacrário. Em Tumaco, na Colômbia, o Santíssimo acalma um maremoto salvando toda uma população católica. No Egipto, uma santa anacoreta caminha sobre o rio Jordão para receber a Comunhão. Na Martinica, o Santíssimo salva o lugarejo chamado Morne-Rouge da fúria de um vulcão. Em Canosio, fez parar uma enchente. Em Cava del Tirreni, na Itália, faz cessar uma peste. Em Dronero, também na Itália, faz apagar um incêndio que ameaçava a cidade. Já em Pibrac,
    na França, as águas de um rio afastam-se para que Santa Germana Cousin passe
    a pé enxuto para assistir a Santa Missa e comungar.

    • Eucaristia como único alimento
    A devoção à Eucaristia levou inclusive muitos santos a alimentar-se unicamente dela, comprovando assim também o seu valor como alimento meramente natural. A Beata Ana Catarina Emerich, também estigmatizada, passou vários anos tendo como único alimento a Hóstia Consagrada; quando muito acrescentava uma ameixa e copo de água. Outros santos nem sequer tinham qualquer complemento ao da Eucarista, como a Serva de Deus Teresa Newman de Konnersreuth, alemã, que viveu assim durante 36 anos. A Beata Alexandrina de Balasar, portuguesa, passou 13 anos alimentando-se unicamente da Eucaristia. São Nicolau Flueli, Patrono da Suíça, 20 anos; a Serva de Deus Anne-Louise Lateau, 12 anos. O caso mais fantástico é da vidente e estigmatizada francesa Martha Robin que passou 53 anos alimentando-se unicamente da Hóstia Consagrada! Nem sequer água ela podia ingerir...
    • Perpetuação das Sagradas Espécies sem se decompor por muitos anos
    O fenómeno mais impressionante foi o de Lanciano, cujas Espécies se mantêm intactas e incorruptas por mais de 13 séculos! Em Alcalá, o milagre foi oficialmente reconhecido após as Espécies se manterem intactas por onze anos. Já em Onil, também na Espanha, duraram 119 anos. Em San Juan de las Abadesas há uma Hóstia colocada numa estátua em 1251 e que permanece incorrupta até os dias actuais. E assim, vários foram os milagres cujas espécies sacramentais permaneceram incorruptas por anos a fio, muitos deles vistos até os dias de hoje.
Juraci Josino Cavalcante, Milagres Eucarísticos


terça-feira, 21 de junho de 2011

Milagres Eucarísticos - Causas dos Milagres

  • Incredulidade ou negligência do celebrante:
O mais antigo milagre eucarístico (Lanciano) teve como causa principal a incredulidade do celebrante. Outros milagres tiveram a mesma causa (mais ou menos quinze, documentados). Houve um caso, porém, que denota não só incredulidade, mas irreverência, como o de Cássia, quando o sacerdote colocou a Partícula consagrada dentro do Breviário. Talvez o que denota maior gravidade, pois ocasionou um milagre mais portentoso, foi o de Regensburg em que o próprio Crucifixo que estava no altar estende sua mão e toma o cálice da mão do celebrante.
No primeiro milagre de Florença (1230), nota-se que houve também negligência do celebrante, pois havia deixado algumas gotas de vinho consagrado no cálice: provavelmente não o ingeriu completamente durante a Missa. No milagre de Roma (o de 1610), o celebrante não só duvidou da Real Presença na Hóstia consagrada, mas agiu também negligentemente deixando-A cair no chão. Em outros dois casos, nos milagres de Alkmaar e de Boxtel Hoogstraten, ambos na Holanda, os celebrantes negligentemente deixaram derramar o vinho consagrado (quer dizer, o Sangue de Cristo) sobre o altar.
  • Incêndios
Diversos foram os milagres decorrentes de incêndios ocorridos em capelas, igrejas e santuários. Não se sabe se todos foram propositados ou não, sendo mais provável que, na sua maioria, tenham sido ocasional ou por causa de negligência daqueles que cuidam das coisas sagradas. Em Faverney, Pressac, Wilsnack, Florença (no milagre de 1595), Morrovalle, Amsterdão e Stiphout, ocorreram os mais conhecidos. Em Pressac, embora o cálice se tenha derretido completamente, a Hóstia que estava dentro dele permaneceu intacta. Em Wilsnack, as Hóstias não só estavam intactas após o incêndio, mas também sangrando, o que talvez indique que o acidente foi proporcionado.
O milagre de Amsterdão, no entanto, tem uma particularidade: não foi decorrente de um incêndio ocorrido numa igreja, mas do fogo de uma lareira, na qual uma empregada havia jogado uma Hóstia consagrada que seu patrão vomitara minutos antes: a Sagrada Partícula salvou-se do fogo flutuando milagrosamente na lareira.
  • Sacrilégios, roubos e profanações
Uma grande quantidade de milagres eucarísticos ocorreram após ter havido sacrilégios, roubos e profanações do Santíssimo Sacramento. Muitos casos, como o de Santarém, o narrado por São Pedro Damião e o de Ettiswil, na Suíça, foram cometidos por pessoas que receberam a Comunhão, tiraram a Hóstia da boca logo depois e a levaram para ser profanada por algum feiticeiro. Em outros casos foram hereges ou ateus que conseguiram obter as Sagradas Espécies, ou roubando ou por intermédio de alguém, para fazer uma profanação acintosa contra Cristo, como o ocorrido com as Sagradas Hóstias do "El Escorial", de Bruxelas, na Bélgica, de Paris (em 1290), de Poznan, na Polónia, e de Alcoy, na Espanha.
Em outros casos, o ladrão nem sequer chegou a consumar completamente o sacrilégio ou profanação, como o ocorrido em Weiten-Raxendorf, na Áustria, e Herentals, na Bélgica. Nos casos de Augsburg, Bettbrunn e Erding, todos na Alemanha, o roubo deu-se porque os fiéis (uma senhora e dois camponeses), por uma piedade ignorante ou falsa, queriam ter o Santíssimo dentro de casa e, como não era permitido, resolveram roubá-Lo.
E no caso de uma comunhão indigna, estando a pessoa em estado de pecado mortal? Temos então o milagre ocorrido em Mogoro, no ano 1604, quando dois homens tiveram suas línguas queimadas logo após comungarem indignamente: cuspiram as Hóstias na mesma hora e em seguida explicaram ao sacerdote que elas estavam como carvões em brasa na boca.
Em Patierno (Nápoles) as Sagradas Espécies foram roubadas por duas vezes: na primeira, em 1772, ocorreu o fenómeno da recuperação milagrosa, mas na segunda, ocorrida já no século XX, em 1978, nada ocorreu e, lamentavelmente, as partículas estão desaparecidas até hoje.

Juraci Josino Cavalcante, Milagres Eucarísticos