Acaba de ser lançado o hino oficial das jornadas mundiais da juventude, que terão lugar em Julho de 2013, no Rio do Janeiro, com o seguinte título: esperança do amanhecer. O refrão do hino canta: Cristo nos convida, venham, meus amigos; Cristo nos envia, sejam missionários.
Em contraste com este desafio parece-me estar a juventude da Europa, mais concretamente, a de Portugal. Uma vez mais o pudemos constatar na semana passada, se tivermos em conta apenas os meios de comunicação de massa. Grande percentagem de desempregados, muitos com cursos superiores a viver dependentes economicamente da família, filhos únicos, poucos nascimentos e casamentos, milhares a emigrar e grandes manifestações de indignação e descontentamento.
Neste cenário estamos a começar um novo ano escolar, pastoral e de governo. As manifestações do último fim de semana perante o anúncio de mais austeridade e de recessão económica, sem justificações plausíveis do fracasso de medidas anteriores e do seu êxito no futuro, invadem o coração dos jovens e não deixam transparecer a esperança do amanhecer, como canta o hino.
Se a nossa esperança se baseia apenas no económico e não descobrimos razões mais profundas, que nos fazem descobrir outros motivos de crer, esperar e viver, então também eu, como bispo e cidadão, diria que não espero um amanhecer de esperança para os nossos jovens e para o mundo.
Mas com o refrão do hino também eu canto. Ouçamos o convite de Cristo, sejamos amigos e solidários, olhemos mais uns para os outros, sobretudo para os mais pobres do nosso meio e doutros continentes, deixemo-nos enviar e sejamos missionários. Só quem vê assim a vida e o mundo encontra razões de esperança de um novo amanhecer, contribuindo para o seu surgimento com novos comportamentos e atitudes.
Falava estes dias com um missionário de África, que manifestava espanto com os cristãos europeus. Se fossem mais sóbrios, mais solidários e amigos, mais missionários, teriam mais alegria e esperança nos seus rostos e lutariam sobretudo pelos valores que a traça não corrói, sem pôr os outros de parte, mas na devida proporção.
† António Vitalino, Bispo de Beja
