quarta-feira, 28 de junho de 2017
sexta-feira, 23 de junho de 2017
«Os livros de hoje são de papel. Os livros de outrora eram de pele. A Bíblia é o único livro de ar - um dilúvio de tinta e de vento. Um livro insensato, desvairado no seu sentido, tão perdido nas suas páginas como o vento nos parques dos supermercados, nos cabelos das mulheres, nos olhos das crianças. Um livro impossível de ter entre duas mãos tranquilas, para uma leitura serena, longínqua: pôr-se-ia imediatamente em voo, espalharia a areia das frases entre os dedos. (...)
É uma pergunta que não encontra resposta. (...) É uma pergunta infantil, colocada pela alma que se agita num punhado de céu azul, sob um silêncio demasiado grande para ela: de onde venho, eu que não existi sempre? Onde é que eu estava, antes de ter nascido? A nossa época tem a resposta mais breve que se pode dar: vens da cópula entre o teu pai e a tua mãe. És o fruto de alguns suspiros e de um pouco de prazer. Aliás, estes suspiros e este prazer não são indispensáveis. Hoje em dia, não temos necessidade senão de uma proveta. A resposta de data mais recente é esta: vens de um espermatozóide e de um óvulo. Não há nada a buscar do lado de cá. Nada de cá, e nada do lado de lá. (...)
No século treze, vinha-se de Deus e a Ele se regressava. A resposta integral estava na Bíblia, unificava-se com o Livro. Uma resposta de milhares de páginas. Ela não estava tanto na Bíblia, quanto no coração de quem lia a Bíblia, a fim de nela encontrar a resposta. E não podia ler convenientemente sem fazer entrar a sua leitura em cada um dos seus dias. A resposta não era lida, mas sim provada - provada na carne, provada mental e espiritualmente. Não era uma resposta de professor. Os professores são pessoas que ensinam aos outros as palavras que eles próprios encontraram nos livros. Mas não se aprendem palavras num livro de ar. Recebe-se, de tempos a tempos, a sua frescura. Estremecemos ao sopro de uma palavra: amava-te muito antes de nasceres. Amar-te-ei, muito para lá do fim dos tempos. Amo-te em todas as eternidades. (...)
E antes de estar na Bíblia, onde estava esta palavra, de onde é que ela vinha? Pairava sobre o vazio das terras e sobre o vazio dos corações, rodopiava com o vento dos desertos. Ela era primeira. Ela sempre existira. A palavra de amor é anterior a tudo, até mesmo ao amor. (...)
Amava-te. Amo-te. Amar-te-ei. Não basta a carne para nascer. Também é necessária esta palavra. Ela vem de longe. Vem do azul longínquo dos ceús, penetra no ser vivo, escorre sob a carne dos vivos, como uma corrente subterrânea de amor puro. Para a conhecer, não é necessário conhecer a Bíblia. Não é preciso crer em Deus para ser vivificado pelo seu sopro. Esta palavra impregna cada página da Bíblia, mas também impregna as folhas das árvores, o pêlo dos animais e cada grão de pó que voa no ar. O ponto mais fundo da matéria, o seu último núcleo, o seu limite extremo, não é a matéria, mas sim esta palavra.
Amo-te. Amo-te com um amor eterno, eternamente voltado para ti - pó, animal, homem. (...) Muito antes de teres nascido. Muito depois do fim dos tempos. Amo-te em todas as eternidades. É de lá que vem Francisco de Assis. Vem de lá e para lá volta, como se regressa ao leito profundo, entre os braços duma amante.»
Christian Bobin, in "Francisco e o Pequenino"
sábado, 17 de junho de 2017
Chama e Luz
A Chama
e a Luz
Com o Cristo Rei a
abraçar Lisboa, com a paisagem deslumbrante da noite e da luz das estrelas, sob
os pés do Redentor, reunimo-nos em Almada, no Pavilhão do Rosário, neste sábado
03 de Junho de 2017, para assistir a mais uma Noite de Adoração ao Santíssimo
Sacramento da iniciativa dos Irmãozinhos de S. Francisco de Assis de Beja.
Irmãozinhos que nos
continuam a surpreender pela bondade, alegria, partilha e pela sua dedicação
aos Homens e ao Senhor Jesus.
O Pavilhão é
enorme, com um altar lindo e simples enfeitado de gladíolos brancos e com um
crucifixo diferente e bonito. Mas a enormidade rapidamente ficou pequena
perante a multidão que se foi juntando. Mais de 800 pessoas responderam ao
chamamento do Senhor para festejar o Pentecostes.
E foi de festa esta
Noite de Adoração.
Sob o tema “O
Espírito do Amor”, vivemos momentos de oração únicos e sempre emocionantes, que
nos levam, como dizia o Ir. Domingos, a querer mergulhar na força do Espírito
de Deus.
A chama e a luz que
transportámos até ao altar, fizeram parte destes momentos maravilhosos, como se
a luz nos inundasse e nos transmitisse o calor, o abraço, a generosidade, o
amor de Jesus, e nos enchesse o coração tal como aos Apóstolos depois da
descida do Espírito Santo.
Peço-Te Senhor, que
saibamos deixar-nos inundar do Teu Espírito. Que possamos merecer essa luz. Que
aprendamos a olhar para Ti, e que saibamos deixar-nos olhar por Ti, meu Jesus.
Senhor, enche-nos de Ti.
O meu coração
encheu-se de alegria quando passaste por nós e nos abençoaste. Preciso de Ti na
minha vida, Senhor.
Que o Espírito
Santo me ilumine, Senhor. Quero estar bem junto de Ti, Te reconhecer e
encher-me do Teu poder.
Obrigada meu Deus
por todos os momentos de Adoração vividos com os Irmãozinhos, e com todos
aqueles que se deixam inundar pela Tua luz.
Que estes queridos
Irmãozinhos continuem sempre a fazer parte da minha vida, a ensinar-me a
encontrar-Te, a amar-Te, e a ser uma pessoa melhor. Bem hajam.
Queluz, 05 de Junho
de 2017
Ju
sexta-feira, 2 de junho de 2017
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