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sábado, 18 de fevereiro de 2017
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017
O infinito ferido
O infinito que a nós cabe viver é sempre um infinito ferido.
E é bom que assim seja. As perguntas «quem estou disposto a amar?», «até que
ponto me torno disponível para a confiança?», «como me disponho a abraçar a
vida nos seus rasgões e nas suas convulsões?» trazem tatuada uma interrogação
que não vemos, em que raramente pensamos, mas que é intrínseca a tudo,
precisamente a tudo aquilo que somos: «Por que coisas me sinto capaz de
sofrer?».
E isto nada tem a ver com um qualquer confuso masoquismo
autossacrificial. É antes o contrário. Onde se lê «sofrer» entenda-se «viver»,
investir gratuitamente desejo e esforço, escutar em profundidade, acompanhar
passo a passo com amor incondicional, dar a vida. Exatamente como faz a semente
que mergulha na terra, onde está como se morresse, e desse modo assume o risco
de hipotecar e transmudar a sua própria existência para gerar um fruto novo.
Poderemos nós pensar a vida de outra maneira? Podemos,
certamente. E infelizmente muitos (por medo, por egoísmo, por insegurança)
lidam com ela nessa perspetiva. Mas essa não é vida. Permanecerá sempre, mesmo
se bem camuflada, uma vida aparente, mutilada de algumas dimensões
fundamentais, vida a realizar. Uma aventura apenas esboçada. Um dom que não
chegou a sê-lo.
José Tolentino Mendonça
In "Avvenire"
Trad.: Rui Jorge Martins
Publicado em 12.01.2017
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017
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