A melhor preparação para um encontro é a do coração. Criar
espaço e tempo para que o outro possa viver nele. Amar não é levar algo já
preparado, isso é ser egoísta, banal e igual a tantos outros. Quem tenta impor
as suas ideias e sentimentos ao outro ainda não sabe o que é o amor. Amar é
abdicar do seu espaço e do seu tempo, em favor do outro. Para que ele,
sentindo-se amado, possa ser mais e melhor.
E espaço e tempo para mim? Deverei pedi-los a quem amei? Não.
Amar não é uma troca, um negócio ou um contrato. As contabilidades são coisas
da razão de quem teima em não ser feliz. De que importa ter razão quando se
perde o coração? Mas será que pode haver razão onde já não bate um coração?
A felicidade é um estado de plenitude. Um espanto constante,
que se aprende a manter. Uma surpresa sem fim que se deve conquistar a cada
dia. A felicidade é a realização plena de si mesmo, acompanhada de uma sensação
de puro prazer….
Algumas pessoas são más... mas será que o são mesmo? O mal é
a ausência de bem. Uma fome egoísta do coração que tudo devora à sua volta. Uma
frustração de nunca se bastar a si mesmo, por mais que se preze e valorize. É
sempre pouco. Há um desejo ardente de bem em todos nós. Mas, nalgumas pessoas,
porém, está apenas mal orientado.
Um egoísta pode ter apenas medo de amar. Deixa-se escravizar
por pânicos e fantasmas que pouco ou nada têm de real. Quem ama sofre, muito.
Mas não são essas dores que os egoístas temem, porque não as conhecem nem
imaginam o que possam ser.
A paz do amor não é a ausência de sofrimento. Os sacrifícios
são parte deste nosso caminho. Muitos fracassam porque se prepararam apenas
para receber muito... o preço da paz é a luta para a merecer e, no momento e
lugar em que, por fim, é recebida... Deve oferecer-se!
José Luís Nunes Martins

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