Escolher implica traçar uma linha clara. Um critério que
permite examinar e avaliar as opções separando as boas das más, as úteis das
inúteis, as convenientes das inconvenientes.
Esta linha é também resultado de uma escolha. Por isso, pode
ser justa ou injusta, levar ao sucesso ou ao fracasso. Há escolhas sensatas e
outras mais apaixonadas... Chegando, por vezes, a ser meros caprichos. Preferir é estabelecer prioridades ou importâncias. É ordenar de acordo com pesos e medidas. Mas também aqui o critério mais importante é o que preside à escolha do critério.
Há depois um nível superior de decisão: a eleição. Uma pessoa não escolhe outra, tão-pouco a pode preferir. Eleger é uma vontade da alma. Única e exclusiva.
Podemos escolher os membros de uma equipa, preferir uns a
outros, mas quando assumimos a pessoa como um todo, integral e absoluto, ou a
elegemos ou não. O critério é um só: a decisão da alma, baseada na sua
identidade.
Posso conhecer bem alguém por aquilo que escolhe ou prefere,
mas será muito mais evidente se me revelar os seus critérios. Quem elege não
pode deixar de revelar quem é.
A alma expõe-se de forma concreta quando se decide alguém...
E fica ali, bem diante dos olhos dos outros e ao alcance dos seus eventuais
golpes... Nas eleições que fazemos mostramos o que povoa o fundo do nosso
coração, até a nós mesmos... Nesse sentido, é quando fechamos os olhos que
melhor nos vemos.
Se cabe a quem decide ter de lidar com as dúvidas e as
possibilidades de fracasso das suas decisões, as eleições íntimas são – de
todas – as que envolvem maior coragem. Na eleição de quem devemos amar não se
pode arriscar menos do que tudo.
Ao amor é essencial o sacrifício do que somos... mas, na
verdade, quem deseja o céu... só se encontra quando se dá, quando se perde.
José Luís Nunes Martins

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