O que somos depende do que amamos. Só quem se dá aos outros
se liberta do egoísmo. Ser é amar. Realizar-se na entrega de si ao outro.
O que sou não se limita ao que penso que sou, tão-pouco ao
que penso que os outros julgam de mim. É mais. Sou também aquilo que recebo
quando me esqueço de mim e me abro ao outro, e aquilo que fica de mim nos
outros, quando a eles me dou...
Não sou apenas um aqui e agora. Sou também o que fui... e o
que hei de ser.
Sou o que quero concretizar da minha essência, as sementes
que decido regar de entre as que existem em mim.
A minha identidade faz-se dos muitos e pequenos passos que
vou escolhendo dar... cada momento da vida é tão importante quanto
insignificante.
Sofremos, por vezes, golpes fundos. O tempo nem os apaga nem
os cura. São partes de nós, todas elas boas, porque são parte de nós. As
tempestades, muitas vezes, aproximam-nos de quem nos quer bem... As dores
fazem-nos família. Quando amo, e sou aceite, também sou no outro... e o outro,
quando me ama e eu o aceito, também é em mim.
Sou um mistério que se constrói e revela... na certeza de
que nunca sou nem mais, nem menos, do que o amor de que for capaz...
Sou o que amo.
José Luís Nunes Martins

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