segunda-feira, 21 de abril de 2014

O desafio da Páscoa.


Depois da prisão de Jesus, do seu caminho para o calvário, da sua morte na cruz, da sua sepultura… os discípulos ficaram desconcertados e desorientados. Tudo parecia perdido, até o corpo de Jesus. Mas naquele primeiro dia da semana, em que Maria Madalena foi ao sepulcro, deu-se início a um tempo novo, de Jesus ressuscitado presente na vida dos seus. O sepulcro vazio, as ligaduras e tantas incertezas. No entanto, onde todos encontram sinais de morte, o discípulo que mais se sente amado acreditou. Ele não necessita de provas, sabe que Jesus vive, porque continua a sentir-se amado com o mesmo amor… Não necessita tocar, porque se sente continuamente tocado pelo amor de Jesus. E então vive agradecido, vive provando o seu amor, vive transmitindo o mesmo amor aos irmãos.
O Domingo da Ressurreição, primeiro dia da semana é o começo de uma vida nova; uma nova criação; a libertação definitiva! Tempos novos! Sentido novo! Homem novo! Maria Madalena, discípula do Senhor, não se aquieta à sua ausência. Vai procurá-Lo, prestar-Lhe homenagem, movida pela força do amor! Porque procurou, apesar da noite escura da ausência e da frieza do sepulcro, constatou a novidade: o sepulcro aberto e vazio! Jesus não estava lá! Afinal, a morte não é a última realidade!
 
Cada Páscoa, esta Páscoa, pode ser "um primeiro dia" na nossa vida. O início de uma vida diferente, porque marcada pelo sentido novo da Ressurreição. Apesar do escuro da nossa pouca fé, apesar do escuro de uma cultura do evidente e palpável, somos convidados à experiência de vislumbrar sinais de ressurreição anunciadores de uma vida nova! Com e como Maria Madalena e todos os apaixonados pelo Senhor, deixemo-nos mover pela fé e pela sede de Deus! Procuremos o Senhor vivo em nós, nos nossos ambientes, na Igreja, no mundo! Ele está vivo entre nós!

É a Páscoa do Senhor! Ressuscitou! Vive! E porque vive, enche de entusiasmo o nosso existir. Anima-nos à esperança. Anima-nos ao testemunho. Anima-nos à fé. É a festa da vida. Do encontro. Da partilha. Em Jesus ressuscitado somos convidados para o encontro com o Evangelho da verdade. Somos comunidade. Somos de Cristo. De Cristo vivo
A ressurreição ultrapassa todas as expectativas e raciocínios. Os próprios discípulos, os que privaram com Ele, ainda não tinham entendido a sua lógica, a sua palavra, e muito menos o acontecimento da sua morte e a certeza da ressurreição. O acontecimento da ressurreição é a palavra final que tudo muda. Após esta experiência os discípulos embarcam na lógica do amor e do dom da vida. Compreendem os sinais da ressurreição, descobrem que Jesus está vivo!
Também nós não entendemos a ressurreição do Senhor. Procuramos evidências, factos explicáveis, lógicas compreensíveis. Mas esta ultrapassa-nos, porque só na fé podemos acolher plenamente a verdade da ressurreição. Com ela aprendemos que a vida plena, a transfiguração total da nossa realidade finita e das nossas capacidades limitadas para pelo amor que se dá até à morte. A vida entregue gratuitamente não é um fracasso, mas um caminho para a felicidade verdadeira e sem fim.
 Será que conduzimos a nossa vida nesta direção?
Ou ainda não entendemos a lógica da ressurreição?

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