quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Intenções do Santo Padre para o mês de setembro de 2013


Intenção Geral do Santo Padre

Para que os homens e mulheres do nosso tempo, tantas vezes mergulhados num ritmo frenético de vida, redescubram o valor do silêncio e saibam escutar Deus e os irmãos.

 
A Intenção Geral deste mês pode parecer um pouco estranha, à primeira vista, mas de facto não é. E porquê? Porque no mundo de hoje há demasiado ruído, demasiadas palavras e muito pouco silêncio. Impõe-se, por isso, reencontrar os altos valores do silêncio, dalguns dos quais falaremos.
No silêncio, escutamos e conhecemos-nos melhor; nasce e aprofunda-se o pensamento, compreendemos com mais clareza o que queremos dizer e o que esperamos do outro, tornando assim possível uma relação humana mais plena.
Estabelecer tempos específicos para estar consigo mesmo e com os próprios pensamentos ajuda-nos aaprofundar o nosso mundo interior. É nestes momentos que atingimos o nosso eu mais profundo e vemos as coisas na sua verdadeira perspectiva.
A disposição de guardar silêncio implica a capacidade de controlar a língua e a tendência para falar. Como afirma o Livro do Eclesiastes, «há tempo para falar e tempo para calar». Afirma também o provérbio popular que «o silêncio é de ouro» e aquele outro que sublinha: «fala, só quando aquilo que disseres for mais importante que o silêncio».
Normalmente, temos mais tendência para falar que para escutar, mas na realidade a disposição para ouvir os outros é muito mais importante que aquilo que lhes possamos dizer. Isto acontece porque nos esquecemos que é muito mais aquilo que temos que aprender do que aquilo que temos que ensinar.
Se passamos a uma perspectiva cristã, o silêncio é ainda mais importante. Se Deus fala ao homem em silêncio, o homem deve descobrir igualmente no silêncio a possibilidade de falar com e de Deus. Quando queremos falar da grandeza de Deus, a nossa linguagem revela-se inadequada e assim se abre espaço à contemplação. Desta contemplação nasce a força interior para a missão, para a necessidade imperiosa de comunicar, «de escutar a Deus e aos homens», como nos pede a Intenção deste mês. Rezemos para que seja assim, para que todos adquiramos uma maior capacidade de escuta.
 
Intenção Missionária do Santo Padre
 
Para que os cristãos perseguidos possam testemunhar o amor de Cristo.
 
Os cristãos foram perseguidos desde o princípio, como Cristo tinha previsto e disso tinha avisado os seus apóstolos. Ele tinha sido perseguido e «o discípulo não é mais que o seu Mestre». Porém, de há uns anos a esta parte a perseguição contra os cristãos tem recrudescido em muitos países, como sejam a Índia, a Nigéria, o Sudão e outros.
A fundação AIS (Ajuda à Igreja que Sofre), num Relatório que apresentou há pouco, sobre a liberdade religiosa no mundo, confirma esta afirmação: os cristãos são, entre todas as confissões religiosas, quem mais sofre perseguição e discriminação. Ainda segundo este Relatório, a situação é altamente problemática, especialmente onde a Constituição remete para a existência de uma religião oficial, como é o caso da Arábia Saudita, Quénia, Mali, Nigéria e Chade.
Há ainda a destacar a enorme pressão que é exercida sobre os não muçulmanos, nos países onde está vigente a Lei da Blasfémia, ou seja, a lei que determina a condenação à morte de quem é acusado de blasfemar contra o Islão. Isto presta-se a todos os abusos e até invenções.
Em muitos países, os cristãos são alvo de actos terroristas, impedidos de rezarem em comunidade, vêem as suas igrejas destruídas à bomba, são torturados, presos e mortos. Na própria Europa, as coisas não acontecem tão às claras e os métodos são mais sofisticados, mas também existem sinais de discriminação que dão lugar a preocupação.
Mas no meio de todas estas graves dificuldades, os cristãos não desanimam e continuam a praticar a sua fé com grande heroísmo, sem se deixarem arrastar pelo medo e pela ameaça de novas represálias, que nos últimos tempos têm aumentado, como dissemos ao princípio, por exemplo, no Estado indiano de Orissa. Afirmou um bispo desta zona, onde os cristãos continuam a dar um exemplo coerente de fé: «Nunca ouvimos falar de cristãos que tenham reagido e contra-atacado, e declaram àqueles que vieram pedir perdão: “perdoamos tudo o que nos fizeram e queremos construir uma terra de paz, onde possamos viver juntos”. Mataram a nossa gente, mas não conseguiram ferir a nossa relação com Jesus».

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