quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Jesus, a Perfeição...
... Francisco, o espelho da Perfeição


E porque amanhã é dia do nosso glorioso pai S. Francisco de Assis, aqui deixamos uma pequena descrição deste grande homem, que hoje, passados mais de 800 anos continua a fascinar gerações de todas as faixas etárias, económicas e até dos mais variados credos...

Seria muito longo e praticamente impossível enumerar e descrever tudo que o glorioso pai S. Francisco fez e ensinou enquanto viveu na carne. Quem poderia contar o afecto que tinha para com todas as coisas de Deus? Quem seria capaz de mostrar a doçura que sentia quando contemplava nas criaturas a sabedoria do Criador, o seu poder e a sua bondade? Na verdade, enchia-se muitas vezes de uma alegria admirável e inefável quando olhava para o sol, a lua, as estrelas e o firmamento. Que piedade simples, e que simplicidade piedosa! Tinha um amor enorme até pelos vermes, por ter lido sobre o Salvador: Sou um verme e não um homem. Recolhia-os por isso no caminho e colocava-os em lugar seguro, para não serem pisados pelos que passavam. Que poderei dizer mais sobre as outras criaturas inferiores, se até para as abelhas, para que não desfalecessem no rigor do frio, fazia dar mel ou um vinho de primeira? A operosidade e o engenho das abelhas exaltavam-no a tão grande louvor de Deus que muitas vezes passva o dia louvando a elas e às outras criaturas. Da mesma maneira que no tempo antigo os três jovens colocados na fornalha ardente se sentiram convidados por todos os elementos para louvar e glorificar o Criador de todas as coisas, também este homem, cheio do espírito de Deus, não cessava de glorificar, louvar e bendizer o Criador e Conservador do universo por meio de todos os elementos e criaturas. Que alegria ele sentia diante das flores, vendo a sua beleza e sentindo o seu perfume! Passava imediatamente a pensar na beleza daquela flor que brotou da raiz de Jessé no tempo esplendoroso da primavera e com seu perfume ressuscitou milhares de mortos.
Quando encontrava muitas flores juntas, pregava para elas e convidava-as a louvar o Senhor como se fossem racionais. Da mesma forma, convidava com muita simplicidade os trigais e as vinhas, as pedras, os bosques e tudo que há de bonito nos campos, as nascentes e tudo que há de verde nos jardins, a terra e o fogo, o ar e o vento, para que tivessem muito amor e fossem generosamente prestativos.
Afinal, chamava todas as criaturas de Irmãs, e de uma maneira especial, por ninguém experimentada, descobria os segredos do coração das criaturas, porque na verdade parecia já gozar a liberdade gloriosa dos filhos de Deus. 



Decerto, ó bom Jesus, ele que na terra cantava o vosso amor em todas as criaturas, agora está nos céus louvando-vos com os anjos porque sois admirável.
Ninguém é capaz de compreender quanto se comovia quando pronunciava Vosso nome, Senhor Santo. Parecia um outro homem, um homem de outro mundo, todo cheio de júbilo e do mais puro prazer. Por isso, onde quer que encontrasse algum escrito, divino ou humano, na rua, em casa ou no chão, recolhia-o com todo o respeito e o colocava em algum lugar sagrado ou decente, pensando que o escrito poderia ser do Senhor ou pelo menos conter seu santo nome.

Um dia, um frade perguntou-lhe por que recolhia também os escritos dos pagãos, onde não estava o nome do Senhor, e ele respondeu: “Meu filho, contêm as letras com que se escreve o gloriosíssimo nome do Senhor. O que há de bom neles não pertence aos pagãos nem a ninguém em particular, mas somente a Deus, ‘de quem São todos os bens”,. Outra coisa admirável é que, quando mandava escrever alguma carta de cumprimentos ou conselhos, não permitia que se apagasse alguma letra ou sílaba, mesmo que estivesse sobrando ou fosse errada.
Como era bonito, atraente e de aspecto glorioso na inocência da sua vida, na simplicidade das palavras, na pureza do coração, no amor de Deus, na caridade fraterna, na obediência ardorosa, no trato afectuoso, no aspecto angelical! Tinha maneiras simples, era sereno por natureza e de trato amável, muito oportuno quando dava conselhos, sempre fiel às suas obrigações, prudente nos julgamentos, eficiente no trabalho e em tudo cheio de elegância. Sereno na inteligência, delicado, sóbrio, contemplativo, constante na oração e fervoroso em todas as coisas. Firme nas resoluções, equilibrado, perseverante e sempre o mesmo. Rápido para perdoar e demorado para se irar, tinha a inteligência pronta, uma memória luminosa, era subtil ao falar, sério nas suas opções e sempre simples. Era rigoroso consigo mesmo, paciente com os outros, discreto com todos.
Muito eloquente, tinha o rosto alegre e o aspecto bondoso, era diligente e incapaz de ser arrogante. Era de estatura um pouco abaixo da média, cabeça proporcionada e redonda, rosto um tanto longo e fino, testa plana e curta, olhos nem grandes nem pequenos, negros e simples, cabelos castanhos, pestanas rectas, nariz proporcional, delgado e recto, orelhas levantadas mas pequenas, têmporas chatas, língua apaziguante, fogosa e aguda, voz forte, doce, clara e sonora, dentes unidos, iguais e brancos, lábios pequenos e delgados, barba preta e um tanto rala, pescoço fino, ombros rectos, braços curtos, mãos delicadas, dedos longos, unhas compridas, pernas finas, pés pequenos, pele fina, descarnado, roupa rude, sono muito curto, trabalho continuo.

E como era muito humilde, mostrava toda a mansidão para com todas as pessoas, adaptando-se a todos com facilidade. Embora fosse o mais santo de todos, sabia estar entre os pecadores como se fosse um deles.

Ajuda, portanto, os pecadores, pai santíssimo que amas os pecadores! Digna-te, com tua poderosa intercessão e cheio de misericórdia, levantar aqueles que vês jazer no meio das imundícies dos pecados....


S. Francisco de Assis
rogai por nós!

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